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THE CROSS – a volta da primeira banda de Doom do Brasil

junho 24, 2015 11:31 am by: A+ / A-

thecross

Existem pessoas na cena que acham (o achismo no Brasil prepondera e no Metal parece uma praga) que para fazer Heavy Metal e notadamente Doom Metal o clima da região em que  os membros da banda moram influencia (vi esta asneira – novamente, já que ouvira antes – diversas vezes no livro do Maicon Leite sobre a cena gaúcha, citada por alguns membros de bandas que estão no livro). Ou seja, uma banda nordestina, de Salvador não teria a minima condição “climatológica” (kkkk) de fazer Doom Metal – caralho, Bay Area São Francisco Califórnia; Flórida são regiões quentes animais. Pois muito bem, o The Cross foi a pioneira no estilo no Brasil. Deu o que falar quando lançara sua demo, “The Fall”, mas parou por um tempo. Dezoito anos se passaram e eis que a banda volta e lança um EP que mal foi lançado já está dando o que falar. Então convocamos o líder/mentor e the big boss da banda para uma entrevista, Carlos Eduardo “Slayer” Mota.

1 – A Bahia sempre foi um estado de vanguarda quando o assunto é Heavy Metal, notadamente na sua face mais extrema. Tanto é que tem diversas bandas de destaque nacionalmente e internacionalmente. O The Cross contrariando a máxima de alguns “donos da verdade” que acham que para fazer Doom Metal a priori a banda deve viver em um ambiente com clima frio para que a melancolia esteja presente de fato. Pioneira no estilo aqui no Brasil deu o que falar quando lançara a demo “The Fall”, ai cabe a pergunta o que aconteceu de fato para que as atividades fossem paralisadas?

Carlos Eduardo Mota (v) – Sempre tivemos problemas com formação, pois Doom Metal naquela época era algo novo para muitos que só conheciam Black Sabbath. Sempre fui pesquisador, sempre tive influência do Candlemass e do antigo Trouble esta era a proposta. Ai já viu, faltava material humano.

2 – Entendo, mas a banda parou e somente após dezoito anos você resolveu por o The Cross na ativa. Trouxe do limbo o guitarrista Pedro “Barrunfo” Maia para o Metal novamente (estava bastante afastado) e junto a ele consolidou o núcleo criativo da banda. Conversamos sobre isto de forma informal há tempos atrás, posso presumir que vocês dois foram os artificies deste “novo” The Cross?

Carlos – Sim! Na verdade era um projeto chamado Black Cross, mas resolvi reativar o The Cross novamente porque sempre foi meu sonho. Ele concordou em tese tanto assim que não esta mais na banda por ter outra visão, que não é a minha proposta.

3 – Hummm, mas me explica direito. Vocês compuseram duas músicas fudidas que estão neste EP de reestreia da banda. Quais são estas diferenças abissais que fizeram com ele pulasse fora do “barco”?

Carlos – As musicas do EP 90% são minhas e de Elly (g), o problema e que Pedro tem outras prioridades que não são a banda, então hoje precisamos de total dedicação e compromisso isto é fato.

4 – Vejam como são as coisas, pensei que ele tinha uma colaboração maior nesta volta, por ser músico profissional e um membro original da banda além de você. Quando você fala de total dedicação e compromisso quer dizer o que especificamente?

Carlos – Criação no Doom Metal, inovar, ter amor incondicional ao estilo, respeitar os outros integrantes. Pedro é um bom musico mais hoje não pode estar do meu lado junto ao The Cross.

eduardo

5 – Na condução da bateria também tivemos mudanças, você pode nos dar os nomes e backgrounds dos novos membros?

Carlos – Alex ( baterista) tem vários compromissos,  com o The Cross sempre soube que ele não ficaria e já tínhamos conversado sobre isto, grande amigo. Luan vem pra somar, toca cover do Sabbath e é um ótimo baterista e muito compromissado; Jenner Randam toca na Behavior, uma excelente pessoa, grande músico e muito fã do nosso trabalho.

6 – Você sempre foi um admirador trabalho do Trouble, este nos seus primeiros álbuns tinha uma temática que focava o lado “branco” da vida, ou seja, muitos conceituaram o Trouble como uma banda de white metal – particularmente não vejo desta forma. Hoje mais do que nunca há um patrulhamento enorme de uma parte da cena que faz uma verdadeira inquisição reversa. As duas músicas novas são bem melancólicas e me parece que não tem nada haver com esta temática, mas você não teme sofrer acusações e retaliações dos xoguns satânicos do Metal por admitir a influência do Trouble?

Carlos – Ahahahahahahahaahaha! Sou fã do trabalho do Trouble, acho fantástico “Psalm 9” e o “The Skull” simplesmente uma aula. O The Cross usa temas sobre a paranoia e depressão, abordamos muito temas produzidos dentro do hospício. “Sweet Tragedy” fala do vazio da alma, “Cursed Priest” é um diálogo com um teólogo sem fé que não sabe responder minhas indagações; sobre ser abordado pelos satânicos tenho uma cruz invertida tatuada no meu braço. Simples, nascemos sem acreditar em religião nenhuma ao longo do tempo nos é ensinado religiões, você absorve ou não e morremos todos sem exceção pedindo a um deus que nunca acreditamos que nos dê uma boa hora rsrsrsrsr estranho isto né?

7 – Totalmente estranho kkkkk. Eu não acredito em religião alguma, admiro alguma coisa da Filosofia Budista, mas não encaro isto como religião, cada um colhe o que planta e isto é fácil de constatar. Você citou as duas músicas inéditas que foram lançadas neste EP de reestreia, você vê uma diferença gritante entre elas e as musicas da demo “The Fall” que foram remasterizadas e colocadas como bônus?

Carlos – Sim enxergo, são épocas diferentes. Hoje o The Cross é uma instituição Doom Metal voltada ao peso extremo melancólico, mas acima de tudo Doom em sua essência.

8 – E o que vem por ai? Sei que já estão em pleno processo de composição de novas musicas para lançarem, finalmente, o debut álbum da banda. O que pode ser revelado sobre o assunto?

Carlos – Composições extremas pesadas melancólicas, não somos uma banda de seguirmos uma linha especifica criamos algo com nossa dor angústia e visão cinza de um mundo em decadência. Damos muita importância a originalidade e é difícil mais fazer musica assim, acabamos de visitar um sanatório/ hospício é muito de fuder esperem por algo único.

9 – Previsão? Ideia de um possível track list? Com esta mudança recente de formação e o background dos novos músicos a musicalidade poderá sofrer um novo rumo ou a tutela de todo o processo criativo ficará sobre sua inteira responsabilidade?

Carlos – Fevereiro/2016, ou antes, com certeza teremos um track list rsrsrrs. Posso adiantar dois nomes somente: “House of Suffering” e “The Skull and The Cross” esta é uma musica complicada muito triste e arrastada. As demais deixo o suspense, mas terá uma instrumental que se chama “Tears in the Dark” esta talvez a mais arrastada, sempre vai ser agregada aos novos membros o que mudara estará mais pesada mais melancólica rsrsrrsrsrs e extrema.

10 – Agradeço o tempo cedido e acredito que os que vistam o TheMetalVox puderam conhecer um pouco mais sobre a volta da banda e seus planos para o futuro. Fique à vontade para tecer seus comentários finais.

Carlos – Obrigado TheMetalVox, obrigado Jaime, thanks fãs do The Cross hell, fãs do Doom Metal true, estamos de volta martelo da dor veio pra ficar see you in hell!

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Por: Jaime “TheMetalVox” Amorim

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