quarta-feira , 12 dezembro 2018

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FACADA – “Quebrante” (Black Hole Productions – 2018)

novembro 12, 2018 8:30 pm by: A+ / A-

Em atividade desde 2003 o grupo vem lançando álbuns com uma evolução (musical e lírica) constante, enriquecendo seu Grindcore com elementos díspares da música Underground (como os trechos com influência de Black Metal no “Nadir”) enquanto milita ideologicamente (com letras certeiras) e na própria cena da música pesada (seu álbum “Nenhum Puto de Atitude” é um passeio entre as influências e homenagem a várias bandas nacionais e gringas) e nada mais justo que um disco com músicas novas, esperado ansiosamente.

“Quebrante” começa com “Deixa o Caos Entrar”, que ainda na pegada do álbum tributo presta uma homenagem sutil ao Carcass (essa é a diferença entre um simples plágio, influência e um tributo malandro, pois a citação à faixa “Reek Of Putrefaction” é de extremo bom gosto). “Nós Somos o Veneno”, “Apenas Mais um Igual a Mim” e “O Pior de Todos” seguem um esporro sonoro combinado com passagens cadenciadas, típico da banda, mas nesse disco em especial salta aos olhos (ou ouvidos) a qualidade da gravação, que é contemporânea mas não é asséptica. A pancadaria continua com “A Farsa: Nojo”, mais rápida e com um toque (sempre sutil) de HC europeu dos anos 80, lembrando as sequências de acordes do Anti Cimex) e “Tudo me Faltará” é mais Metal, com aqueles riffs desgraçados de Ari e Danyel, sempre mortais. “Vogelfrei” tem uma pegada Slayer, mas, repito, sutil e “delicado” (se é que essa palavra cabe aqui), seguida da faixa-título, que engana com a intro mais tribal, enquanto James vomita seu ódio e indignação.

“A Maldição da Rede” é o exemplo de pegada Crust e D-Beat combinados com o que o Facada faz de melhor, convidando o público ao Mosh. “Estão Esperando seu Erro” tem dissonâncias típicas do Napalm Death nos discos dos anos 2000, “Sumir” volta ao clima Punk/HC, “Tiro no Caixão” é puro ódio e violência, “A Vitória da Diva” tem bastante influência de Black Metal primitivo, citações fantásticas as bandas finlandesas e norueguesas e “Há Honra (?)” tem sequências harmônicas de Metal oitentistas escondidas nas camadas de brutalidade comuns da banda. “Eu Sei Como é Morrer” volta a chamar ao Black Metal, “Putrescina” tem um climão tétrico combinado com D’Angelo à velocidade da luz, “A Verdade Gera o Ódio” retoma a influência do Napalm, mas na pegada do Harmony Corruption, “Pervitin” começa induzindo seu pescoço a se mover sozinho.

“Blasfema Eu” é um rolo compressor, com vários tipos de blast beat em sequência, “Feliz Ano Novo” começa cadenciada e quebrada, mas nem se engane, a pancadaria continua, com riffs grudentos, As três últimas faixas, “A Vida é uma Armadilha”, “Ele Não Voltará” e “Miss Distopia”, passeiam entre D-Beat, Grindcore e, pasmem, com uma homenagem ao Thrash mais pé-no-freio dos anos 90, finalizando o disco de modo desconfortável. Como deve ser. Candidato à melhor disco do ano, “Quebrante” não soa como uma salada. Ao ouvi-lo fica claro que os detalhes descritos das faixas se combinam com tanta homogeneidade e sutileza que passam totalmente despercebidos e, assim, mostram uma banda já tarimbada, experiente e que não demonstra nenhum sinal de fraqueza criativa.

Facada é:
Wilker D’Angelo (bateria)
Ari Almeida (guitarra)
James (baixo, vocal)
Danyel (guitarra)

https://blackholeprods.bandcamp.com/album/quebrante

Por: Leonardo Barzi

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