segunda-feira , 12 novembro 2018

Home » Entrevistas » DIRTY GRAVE – o legado da destruição….

DIRTY GRAVE – o legado da destruição….

outubro 13, 2018 11:04 am by: A+ / A-

Dando vazão a valorização da nobre arte da confecção de zines tradicionais firmamos mais uma parceria, agora com o zine manaura Mors Venit. Este tem foco no cenário Doom brasileiro e é editado pelo doomer Diego Moriendi. O Dirty Grave é uma banda que meu humilde e pequeno selo teve o prazer de abraçar e dar o pontapé inicial para lançar seu debut álbum aqui no Brasil – a banda já estava com o lançamento garantido no exterior mas aqui estava difícil. Apreciem e conheçam mais o Dirty Grave!!!!

1 – Como é de praxe, gostaria de começar pedindo que você apresente a banda e aponte as motivações que implicaram na formação da Dirty Grave.

Mark Rainbow (v & b) – É um prazer para nós poder ceder essa entrevista à Mors Venit Zine, a banda surgiu com o guitarrista Victor Berg e eu, nós sempre gostamos de compor e já trabalhávamos juntos em uma banda de Thrash, além de termos crescido juntos nesse meio musical, quando tivemos contato com o Doom Tradicional não teve como resistir. Atualmente a banda conta com Arthur Assis na bateria, Douglas C. Bolzan, que ainda será apresentado, na guitarra e eu no baixo e voz.

2 – Banda devidamente apresentada, agora vamos falar sobre o EP de 2013 que contém quatro músicas com uma gravação bem caseira. Como você avalia o momento atual da banda em relação ao período da gravação do EP?

Mark – Eu creio que ao menos em termos de gravação nós melhoramos, rsrsrs. Em 2013 as coisas ainda estavam muito obscuras nessa parte, pra vocês terem uma ideia o mesmo equipamento de gravação usado no EP foi usado para a gravação do álbum “Evil Desire”, um notebook simples e um programa de gravação e edição musical, as gravações caseiras podem ajudar, mas as gravações em estúdio com bateria real sempre foram o desejo da banda, creio que o próximo trabalho será assim.

3 – Uma das minhas músicas preferidas é a arrastadíssima “Lost in Tomorrow”, que é cheia de vocais sobrepostos. A música finaliza com um potente solo de guitarra com duração de dois minutos e três segundos acompanhado de um lúgubre andamento de bateria e baixo. Poderias explanar sobre o conceito por trás dessa música?

Mark – Sim, na Dirty Grave nós não temos intenção alguma de colocar na músicas nossa visão de mundo ou ideologias, o intuito sempre foi o de ter a banda como um escape, uma fuga, o lance é se divertir sem pressão, porém algo sempre escapa, não dá para controlar tudo assim, essa música expressa um pouco do meu sentimento em relação ao presente e futuro, resumindo, creio que há muita desgraça e que haverá ainda mais, o desenvolvimento, o progresso desse sistema tem uma ligação vital com o subdesenvolvimento, com a miséria, então o cenário de guerras, diferença social, violência, genocídio, fazem parte da nossa estrutura, servem a propósitos e acredito que isso tenha deixado a música um tanto sombria.

4 – Com parca noção do processo de mixagem e munidos de um notebook básico a Dirty Grave gravou em 2017, o esperado full-length “Evil Desire”. Como tem sido a aceitação e distribuição no Brasil e no mundo?

Mark -Para a nossa surpresa o álbum tem sido facilmente aceito, eu esperava certa resistência devido a gravação, porém ficamos surpresos, foram três lançamentos, sendo dois estrangeiros e um nacional, muita gente procurou a banda pra falar sobre o álbum, dizer que tinha gostado, várias rádios em vários países estão tocando o álbum, tanto web rádio quanto estações físicas também, muitas resenhas aqui e lá fora. Quando os selos nacionais fizeram o lançamento a alegria foi ainda maior, pois sei que aqui no Brasil essas coisas são mais complicadas, mais caras, e eu sempre acreditei que isso não aconteceria aqui, mas estava errado, felizmente, e pelo que vejo o disco está saindo muito bem.

5 – Por quais gravadoras e em quais formatos o “Evil Desire” foi lançado?

Mark -Primeiramente foi lançado pela GrimmDistribution (Bielorussia) e Todestrieb Records (UK) em formato de CD, depois a Doom Stew Records (EUA) lançou em CD e fita cassete. O lançamento em CD no Brasil ficou por conta dos selos The Metal Vox, Bagaça Records, Brothers of Metal, Tales From the Pit, Resistência Underground, Totem Records, Eclipsys Lunarys Productions e Nuktemeron Productions.

6 – Por que vocês escolheram a música “Evil Is Going On” de Luther Allison para gravar uma versão? Essa música representa algo para vocês?

Mark – Bom, rsrsrs, a escolha foi minha, mas tanto o Victor quanto eu gostamos muito de Blues, não foi uma escolha a dedo, poderia ser qualquer outra canção de blues, há muito do Blues nas bandas que gostamos e também é uma forte influência pra gente.

7 – Agora falando sobre as letras, percebo que a crítica e o sarcasmo pela “coisa” sacra são bastante explorados. Comente sobre os temas versados pela Dirty Grave.

Mark -Sim, eu adoro “brincar” com isso, me perdoem os religiosos, tento não colocar muito do lado político, mas brincar com o tinhoso é de lei, eu não creio nem em Deus e nem no Diabo, mas fazer um teatro meio satânico é algo que acho muito divertido.

8 – Uma coisa marcante nas músicas é sua variação vocal. Quais vocalistas você apontaria como influência para sua maneira de cantar?

Mark – Nossa, eu ouço muita música, poderia citar muitos, mas focando apenas na Dirty, Bobby Liebling com certeza, Ozzy, entre outros, o vocal não é algo muito levado a sério na banda, eu faço umas imitações, gosto de zuar, afinal a banda é pra gente se divertir, quero apenas curtir o que gosto então eu não foco em construir um vocal característico, a maioria das linhas vocais foram criadas já na hora de gravar, mas pra mim o foco é estar divertido, preciso rir, já tem muita desgraça no mundo(Hahaha).

9 – O som da Dirty Grave é calcado no Doom Metal Tradicional fortemente inspirado em Saint Vitus, Pentagram e Black Sabbath, porém sem soar uma cópia das bandas citadas. O que fica nítido é que vocês pegaram a velha fórmula de tocar Doom Metal, acresceram suas próprias características e o resultado é uma música com personalidade e que homenageia os primórdios da música arrastada. Em algum momento vocês já foram comparados com as bandas que os influenciam?

Mark – Sim, alguns como você citam que há personalidade, outras dizem ser uma cópia de Pentagram, ou de Black Sabbath, mas as influências são sempre citadas por quem ouve a banda e conhece Doom Tradicional. Eu não vejo a Dirty como uma cópia, temos o nosso jeito de fazer as coisas, porém acredito que a personalidade vai se construindo com o tempo e estrada, nós ainda estamos engatinhando, apesar de começar no final de 2013 a banda nunca ficou um ano todo ativa, sempre ouve interrupções, isso atrapalha muito. Mas pelas novas canções posso dizer que o Blues se intensifica, a cara da banda pode aparecer mais, vamos esperar pra ver(hehehe).

10 – O Doom Metal em si é pouquíssimo apreciado e por vezes subvalorizado. A forma de Doom Metal mais aceita e prestigiada é aquela “miscigenada” com outros estilos como: o Death/Doom, o Black Doom e etc (inclusive foi assim, misturado, que ele chegou em terras brasileiras). O que você acha dessa questão?

Mark – Bom, eu não sei muito o que dizer porque eu não conheço muito esses estilos, na verdade não sou aprofundado nem no Doom Tradicional, hehehe, conheci muita coisa depois de ter lançado o EP em 2013, mas o velho sempre esteve presente, acho que ouço muita coisa antiga que está dentro do Doom Tradicional.

11 –  Se tocar Doom Metal é de certa forma resistir, pode –se dizer que tocar Doom Metal tradicional seria a resistência da resistência, tendo em vista a pouca apreciação do estilo no Brasil?

Mark – Creio que sim, hehehe, mas fazer o que gosta é bom demais, pelo menos na banda só o que deve haver são prazer e diversão.

12 – Gostaria que você definisse de maneira sucinta o que é o Doom Metal.

Mark – Nossa, difícil, eu não sei se tenho autoridade para isso, com certeza não, (hahaha), mas para quem está começando agora, indico ouvir o “Relentless” do Pentagram, “Hallow’s Victim” do Saint Vitus, o “Paranoid” do Black Sabbath, o Doom Metal está lá, não somente lá é claro, mesmo dentro do Tradicional o Doom Metal tem muitas características, eu coloco o Doom Metal como sendo a ovelha negra dentro da família do Rock, o que o Heavy Metal foi na sociedade o Doom Metal é dentro do Heavy Metal.

13 – Muito obrigado pela entrevista e tempo cedido ao Mors Venit.

Mark – Eu que agradeço a Mors Venit Zine por ceder esse espaço a Dirty Grave. Abraço a todos.

Por: Diego Moriendi (Mors Venit Zine)

DIRTY GRAVE – o legado da destruição…. Reviewed by on . Dando vazão a valorização da nobre arte da confecção de zines tradicionais firmamos mais uma parceria, agora com o zine manaura Mors Venit. Este tem foco no cen Dando vazão a valorização da nobre arte da confecção de zines tradicionais firmamos mais uma parceria, agora com o zine manaura Mors Venit. Este tem foco no cen Rating: 0
scroll to top
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com