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HOLOCAUSTO – os pais do War Metal em plena atividade

maio 17, 2018 10:58 pm by: A+ / A-

Demorou mas finalmente saiu esta entrevista, prometida a Valério faz bastante tempo. Por desencontros de nossas atividades diárias as perguntas e respostas foram rolando de forma devagar, bem diferente do ritmo frenético e intenso que esta lendária banda mineira pratica. No meio de sua trajetória com saída de alguns membros lançara álbuns intragáveis, saído da sua zona de conforto e causando perplexidade para a grande esmagadora maioria dos seus fãs, inclusive este escriba. Mas tudo voltou ao eixo e recentemente tivemos o lançamento do excelente EP “War Metal Massacre” (2016). Confira abaixo algumas reflexões e planos da banda.

1 – Já se foram trinta anos do lançamento do clássico, melhor, antológico debut álbum “Campo de Extermínio”. Alicerce, pedra fundamental de um sub-estilo metálico totalmente desconhecido até então, o chamado War Metal. Parando hoje para refletir, trinta anos depois dá uma ponta de orgulho de ter sido o criador do estilo?

Rodrigo Fuhrer (vocal) – É impressionante como o tempo passa rápido, já se passaram trinta anos do “Campo de Extermínio” e parece que foi ontem, pois as memórias e imagens ainda ecoam em minha mente. Trinta anos e o mundo não mudou muita coisa quanto a intolerância, ódio e guerras. Enche-nos de orgulho pois é relevante até hoje, citado como influência por muitas bandas influenciadoras. ‘War Metal’ foi a nomenclatura que usamos para descrever nosso som que era uma mistura de Death Thrash Metal com elementos de Hardcore, com letras estritamente focadas em guerras, terrorismo, nazismo e afins.

Fomos a primeira banda da clássica coletânea “Warfare Noise” que gravou um disco completo pois na época estávamos com sangue nos olhos e em menos de um ano após a “Warfare Noise”, houve a mudança de baterista e compusemos e arranjamos o “Campo de Extermínio”. Ainda éramos muito inexperientes no estúdio e contamos com a ajuda do Igor e Jairo (Sepultura) e Silvio (Mutilator). Vale ressaltar que foi gravado pelo produtor Chico Neves que já gravou Skank, Paralamas entre outros, com a ajuda do João Guimarães (Kamikase). Creio que ainda será escutado daqui há trinta anos, isso se o mundo não acabar antes.

2 – Por falar nisto pode-se dizer que além da temática lírica focada nesta coisa abjeta que é o horror das guerras, todas independente dos motivos que a levam acontecer, a sonoridade do Holocausto é singular. E eu sinceramente sei que você Valério é o principal artífice desta sonoridade; tanto é que após a tua saída a banda patinou e transitou em diversos estilos até acabar como Holocausto e se transformar em outro projeto musical diametralmente oposto ao que Holocausto é de fato. Ai queria satisfazer minha curiosidade, você acompanhou os lançamentos dos seus antigos companheiros de banda e como via/ouvia tamanha diferença sonora?

Valério “Exterminator” (guitarra) – Jaime na realidade eu sou o principal compositor da banda porque temos apenas uma guitarra, não sei como funciona com as outras bandas, mas como tenho um bom tempo livre, toco guitarra atualmente quatro dias por semana, aproximadamente três horas. Então crio as bases durante a semana. A banda ensaia todo sábado por duas horas. No Holocausto quem dá o carimbo “WAR METAL” é Rodrigo Fuhrer. Eu faço a “música” (somente as bases) e envio para o Rodrigo, se ele achar que está War Metal, então eu apresento as bases no ensaio, e assim cada um vem com seu arranjo.

Quando saí da banda, minha frustração foi tão grande que fiquei uns anos sem ouvir METAL. Como não havia internet, as notícias que chegavam sobre a banda vinham de amigos de outras bandas, mas nenhuma notícia era favorável. Somente quando a banda retornou em 2004, que Fuhrer e Guerrilheiro me passaram as gravações dos outros álbuns.

Quando ouvi o “Blocked Minds” pela primeira vez, eu até achei interessante, se não tivesse o nome Holocausto no disco. Daí pra frente cada nova audição, eu ficava mais chateado com o caminho que a banda foi. Sobre os outros discos, nem vou comentar por que sinceramente não há nada, nenhuma explicação que me faça entender o que fizeram.

3 – Pois é a banda transitou em searas que não tinha nada haver com sua essência e carregava consigo músico da banda, mas de Holocausto não tinha NADA – cada um faz o que quer com sua criatividade, contudo não era Holocausto. Valério você afirma acima que o Rodrigo é o que dá o carimbo no estilo da banda, mas é muita coincidência você ter saído e este carimbo ficar cheio de teias de aranha…..

Valério – KKKKKKKKKKKKKKKKK, isso aconteceu porque o Rodrigo dava o carimbo WAR METAL nas bases/riffs que eu criava, mas se outros guitarristas criaram bases/riffs não WAR METAL, é porque o estilo deles não era esse. Então após minha saída o Rodrigo teve que fabricar outro carimbo: CROSSOVER?

4 – Ai passado bom tempo de paralisação eis que surge a noticia que o Holocausto, aquele dos primórdios estava de volta ao front, o melhor que com a sonoridade que o fez famoso nos quatro cantos do underground mundialmente. Como foi esta reunião, qual foi o estopim que fez estes “velhos” bangers sentarem e resolverem municiar suas armas e mandar bala de novo?

Anderson (baixo e vocal) – Bom, os integrantes nunca se afastaram completamente desde os anos 80 e dentre conversas resolvemos tentar a formação original e assim a essência dessa união voltou e a ideia era criar um novo álbum baseado no som do passado.

Valério – Antes de chegarmos à formação original, muitas batalhas foram travadas. Quando retornamos em 2004, éramos um WAR TRIO: Fuhrer (bateria), Guerrilheiro (baixo) e eu guitarrista e todos dividindo os vocais. Com essa formação gravamos o “De Volta ao Front”, com uma sonoridade que eu defini como WARCORE.

Então Fuhrer saiu da banda, em 2008. Nesse momento tínhamos feito a primeira pré-produção do álbum “Diário de Guerra”. Com a saída do Fuhrer alguns bateristas foram testados, fizemos uns quatro shows com esses outros bateristas. Em 2010 eu, Guerrilheiro e Guilherme Krueger (baterista) realizamos uma nova pré-produção do “Diário de Guerra”. Então nesse momento o Fuhrer mostrou interesse em voltar para a banda, desde que fosse apenas como vocalista, pois devido a uma hérnia lombar, ele tinha se aposentado da bateria.

Mas antes do seu retorno aos vocais, a banda deu mais uma parada. Quando voltamos o Krueger tinha saído da banda, foi então que entendemos a necessidade de retornar às origens. Para tal retorno a volta de Nédson Warfare era imprescindível. Então o tanque WAR METAL marchou brutalmente pelas trincheiras do Brasil, América Latina e Europa. Fizemos mais uma pré-produção terceira do “Diário de Guerra”, e então em julho após show no Peru, nosso baterista comunica no aeroporto que ficará na banda até dezembro de 2017.

Seria como rastejar em um campo minado, aceitarmos gravar um álbum com um baterista que mesmo antes de o álbum ser lançado, sairia da banda. Então entrei em contato com Armando “Nuclear Soldier”, e o convidei para um projeto de nome BHELL, e na sequência perguntei se ele teria tempo disponível para ensaiar com o Holocausto. Agora sim a formação clássica está “De Volta ao Front”, para disparar seu WAR METAL MASSACRE e retornar com bravura ao “Campo de Extermínio”, para reescrever seu “Diário de Guerra”.

5 – Man desde 2010 que o “Diários de Guerra” está na fita para ser lançado como está o processo? Finalizado? Já podem adiantar track list, arte gráfica e quando de fato será lançado?

Valério – Jaime na realidade o “Diário de Guerra” teve sua 1ª pré-produção em 2007. Agora que estamos com a formação clássica que gravou o Campo de Extermínio, estamos mudando alguns arranjos para gravar esse ano o “Diário de Guerra”. Então não temos nenhuma música gravada com essa formação.

A arte gráfica está pronta desde 2008, porém com todas essas mudanças nas músicas, as letras também foram alteradas. Portanto provavelmente mudaremos a arte gráfica. Espero que no 1º trimestre de 2019 o novo álbum seja lançado. Se tudo funcionar corretamente, em outubro deveremos iniciar as gravações.

6 – Com tanto tempo de estrada e sendo a banda antológica/seminal que é o Holocausto, a banda ainda é confundida como um propagadora das ideias abjetas do nazi-fascismo? Inlcusive já tem um tempo que há uma miríade de bandas (notadamente de Black Metal) com temática lírica explicitamente focada para a divulgação desta merda ideológica, se é que podemos dizer que isto possa ser conceituada como ideologia.

Valério – Infelizmente ainda temos alguns poucos contratempos relacionados à temática da banda. Não sei como isso é possível nos dias atuais. Se alguém ainda pensa que o Holocausto é uma banda nazi, poderia simplesmente nos enviar um email, uma postagem no face, uma mensagem no whatzap, com essa simples pergunta: o Holocausto é uma banda nazi?

7 – Muitos metalheads não sabem, mas você Valério é terapeuta holístico e recentemente postou no facebook um texto bem interessante sobre Inteligência Espiritual, poderia nos explicitar mais a respeito?

Valério – Será um prazer.

“É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos”. (ZOHAR)

“Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal”. (ZOHAR)

“O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor”. (ZOHAR)

“O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações”.(ZOHAR)

“A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”. (ZOHAR)

Essas citações são de Dana Zohar, formada em física pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford.

É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para o português.

Dana Zohar identificou 10 qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo

2. São levadas por valores. São idealistas

3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade

4. São holísticas (adj. Relativo a holismo, que busca tudo abranger, que é totalizante )

5. Celebram a diversidade

6. Têm independência

7. Perguntam sempre “por quê?”

8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo

9. Têm espontaneidade

10.Têm compaixão

8 – Tem gente no nosso meio que fica presa a estereótipos e arquétipos voltados para o lado negro da miríade de religiões que perseguem a humanidade há séculos, milênios até. Particularmente acho tudo uma bosta, este sistema binário (dualidade) de bem e do mal não passa de uma abstração da mentalidade humana para justificar a pequenez diante do Universo. Contudo seria muita pretensão da raça humana (um ser arrogante que não respeita nada) achar que não existe uma força que rege o Universo, este conceito de deu$ para mim não existe, aliás, antes dos judeus não há registro “histórico” deste suposto ser “supremo” e autoritário. Hoje, que estamos maduros, como você encara isto?

Valério – Eu tenho aversão às religiões, no entanto devido a minha formação em técnicas milenares tipo yoga, e ginástica chinesa, eu procurei entender um pouco de Budismo por exemplo. Como não aprofundei meu estudo, até porque não era esse o objetivo, eu não sigo o budismo, eu apenas creio na espiritualidade. Então se você faz algo de bom para outro, você cria ao seu redor um mundo positivo. Eu direciono minha vida em cima de quatro pilares: palavras, pensamentos, sentimentos e atitudes.

Se eu conseguir praticar ao longo dos dias, esses quatro pilares com positividade, eu acredito que atrairei um mundo positivo ao meu redor, pelo menos numa tendência maior. Porém sabendo das adversidades da vida, quando os momentos relacionados às energias negativas surgirem, eu devo recebê-los com serenidade, pois o tempo todo tudo está em movimento. Caso eu crie um sentimento de apego ao momento adverso/negativo, eu estarei atraindo para meu microcosmo mais negatividade, portanto provavelmente a tendência será que esse momento demore mais a passar.

9 – O EP “War Metal Massacre” foi somente lançado na Europa, inclusive em vinil. O que aconteceu que este fudido trabalho não foi lançado aqui no Brasil?

Valério – Quem detém os direitos sobre o “WMM”, é a Nuclear War Now Records, portanto somente ela pode negociar com outras distribuidoras para que seja lançado no Brasil.

10 – Camarada, foi um imenso prazer (finalmente) fazer esta entrevista com você e sua banda, fique à vontade para tecer seus comentários finais.

Valério – Agradeço ao amigo Jaime, que tive o prazer de conhecer pessoalmente em BH num desses festivais comemorativos da Cogumelo. Aproveito para avisar que no momento o Holocausto está com a formação clássica, ou seja, a mesma do “Campo de Extermínio”. Ainda em 2018 teremos excelentes lançamentos, a Cogumelo está pronta para lançar uma edição especial do “Campo de Extermínio 30 anos”, a Brazilian Ritual Records também está para lançar o “War Metal in Belo Horizonte – Live in Brazilian Ritual Fifth Attack”, e para finalizar já foram iniciadas as negociações para lançarmos pela Nuclear War Now (USA) nosso novo álbum “War Diary”, portanto devemos entrar em studio no mês de agosto para gravá-lo. Então mais uma vez o tanque de guerra brasileiro estará nas trincheiras do Metal Extremo mundial, defendendo nossa bandeira do War Metal e como sempre contaremos com vocês: amigos de bandas, produtores, colunistas, pessoal dos zines e colaboradores da banda, todos são nossos aliados. Forte abraço a todos.

https://www.karai.com.br/holocausto/

Por: Jaime “TheMetalVox” Amorim

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