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SEEDS OF DESTINY – Gothic Metal de primeira linha

janeiro 16, 2018 6:21 am by: A+ / A-

Alguns estilos nasceram definitivamente para serem cultuados no underground e um deles é certamente o Doom Metal com todos os seus derivados. Um estilo que cresce no pais apresentando ao mundo bandas maravilhosas seja tocando em diferentes ramificações como o Sludge, Epic Doom Metal, Stoner, Drone e o Gothic/Doom Metal, exigindo um forte comprometimento das bandas envolvidas, e é um justamente com uma banda deste nível de engajamento com o som soturno que iremos bater um papo agora. Trata-se do Seeds of Destiny una horda brasileira no nível de nomes consagrados como Within Temptation ou The Sins of thy Beloved!

1 – Ouvindo o EP da banda, tenho como favoritas as canções “Endless Waiting”, “Wrong Choice” e a “Seeds of Destiny”. Isso porque nas minhas memórias afetivas lembro do inicio da carreira de bandas como After Forever, Tristania, The Sins of Thy Beloved, Theatre of Tragedy, ou seja, a nata do Ghotic Metal. Acredito que são influências obvias. Isso acontece naturalmente? Vocês tem consciência que isso vai acontecer com os ouvintes mais velhos que viveram a época? Como conciliar isto entre os diferentes gostos musicais dos integrantes?

Amanda Lins ( vocalista) – É natural, pois vivenciamos essa fase áurea do Gothic Metal, e foi através dos trabalhos dessas bandas, que tivemos nossos primeiros contatos com esse subgênero. Muitos ouvintes já chegaram pra nos dizer, com empolgação, que alguns momentos de nossas músicas, os remeteram a essas bandas, os transportaram para aquela época. Acho incrível, essa capacidade que a música tem de nos arrebatar, de chacoalhar nossas lembranças, nos fazer reviver momentos, sensações… É impagável, ouvir que a música que faço tem esse poder. O Gothic Metal é uma vertente apreciada por todos os membros, então, é tranquilo conciliar isso entre os integrantes, pois, por mais que cada um tenha suas preferências, este é um denominador comum, e claramente, uma forte influencia no som da Seeds of Destiny.

2 – Contem um pouco sobre a história da banda no início. Para muitos é inusitada uma banda deste estilo fora da Região Sudeste. Como os membros se conheceram, a consolidação do direcionamento musical etc…?

Amanda – O inicio de tudo, se deu bem antes da formação, propriamente. A Seeds se firmou, de fato, em 2013, quando conseguimos manter um line up fixo. Mas todos os membros que estiveram na formação inicial da Seeds, já faziam isso há alguns anos. Naquela referida fase, no auge das bandas de Gothic Metal, já vivenciávamos música, e alguns de nós já dava os primeiros passos nesse estilo. Só que estávamos dispersos, cada um pra um lado. No decorrer dos anos, nos esbarramos entre um projeto e outro, até que, em 2013, conseguimos firmar um line up com pessoas realmente dispostas, e com disponibilidade pra fazer aquilo acontecer. Em alguns meses, concluímos nossas primeiras composições, que mais tarde, se tornariam nosso debut.

Nessa época, estávamos vivenciando uma fase mais Melodic Doom/Death. Éramos fascinados, especialmente, pelo trabalho do Draconian, e tínhamos em mente fazer algo pendendo mais para esse lado, com uma atmosfera bem soturna, etérea, densa, andamentos mais lentos, e muito enfoque nas construções melódicas. Algo que expressasse bem a harmonia que encontramos entre a agressividade extrema e a delicadeza, resultantes da mescla entre o gutural, em contraponto com a voz limpa feminina, dos riffs cortantes de guitarra, com as melodias sentimentais do teclado etc. Mais tarde, involuntariamente, as influências mais Symphonic e Gothic foram ressurgindo, e se fundindo à proposta inicial. As mudanças de integrantes, naturalmente, também trouxeram novas influências e expressões para as músicas, e vêm nos dando novos direcionamentos.

3 – A principal característica musical que salta aos ouvidos é o dueto bem feito entre os vocais masculinos e femininos. Mas sabemos que embora pareça fácil, nem sempre se encontram músicos que dominam estas características musicais. Como vocês encontraram você Amanda e como lidar com as inevitáveis mudanças de formação?

Amanda – Como já citei, trabalhei com a galera em outros projetos. O meu último antes da Seeds, a extinta Karcadya, encerrou as atividades pouco depois de eu precisar me ausentar por motivos de gravidez. Algum tempo depois, quando meu bebê já estava crescendo, e eu conseguindo me dedicar a outras funções fora da materidade, nessa mesma época, alguns colegas me propuseram que eu retornasse às atividades, e colaborasse com eles na retomada de projetos estacionados. Não titubeei. Os duetos entre William e eu, fluem quase que automaticamente, fazemos isso juntos em bandas anteriores, totalizando quase uma década de convivência. (Rsrs) Já conhecemos bem o jeito do outro trabalhar, tanto no convívio, como na construção das músicas. Mudança de formação é o velho fantasma que aterroriza as bandas.

É sempre difícil, desgastante, todos têm que voltar um tempo para a estaca zero, e isso desestimula um pouco. Já ouvi compararem banda a uma espécie de casamento entre várias pessoas, e concordo em alguns aspectos. Você passa a conviver com as diferenças, manias, comportamentos, opiniões divergentes das suas, compartilha experiências, alegrias, decepções… e, quando alguém decide sair da relação, fica aquela lacuna. Surge a expectativa por outra pessoa que esteja disposta a ter aquele compromisso, que venha lutar junto por aqueles ideais em comum. Passamos por algumas mudanças, mas nada muito traumático. Em todas elas, tivemos a sorte de logo surgir algum louco a fim de vir sofrer com a gente.

4 – O underground com todas as suas dificuldades sempre exige das bandas uma superação constante e nem sempre as coisas acontecem no tempo oportuno. Vocês gravaram um EP e acredito que devem estar ansiosos para gravar outro. Há canções suficientes para um novo lançamento?

Amanda – Sim, temos várias músicas que não entraram no EP, conteúdo suficiente para um novo lançamento. Vez ou outra, inserimos coisa nova nos shows. Também sempre rolam aquelas ideias, que um ou outro desenvolve em casa, individualmente, e vão ficando arquivadas, ideias com alto potencial pra se tornarem músicas completas. Se fossemos agraciados com tempo disponível e recursos financeiros suficientes para investir num novo álbum, ele estaria bem próximo. Mas, como você bem colocou, nem sempre as coisas acontecem no tempo oportuno.

5 – O Brasil é um país enorme e isso dificulta o intercâmbio entre as bandas de diferentes regiões para tocar devido custos de transporte, hospedagem etc. Como tem sido quanto a propostas de shows fora da região Nordeste? O que a banda já tem confirmado e como tem sido a rotina de shows, participação do público etc…?

Amanda – Tivemos algumas propostas de shows que, infelizmente, não pudemos atender, justamente por conta dessas dificuldades – custos que sairiam das nossas possibilidades naquele momento. Estamos dentro de uma cena underground, que é tanto diversificada, quanto dispersa. E bandas de Doom/Gothic Metal, que é o estilo em que estamos inseridos, não constituem a maioria da cena. As coisas são bem difíceis de acontecer. Nem sempre, quem se dispõe a realizar um evento underground, dispõe de recursos financeiros suficientes, e custear a locomoção de uma banda distante fica inviável. Para as bandas, que já têm muitos custos (ensaios, equipamentos, manutenção de instrumentos etc.), essas despesas, muitas vezes, ficam impraticáveis. Isso acaba dificultando o intercâmbio entre as bandas.

O intercâmbio com conterrâneos de região tem sido mais realizável. Em dezembro, tocamos em Mossoró/RN, no festival Suado, e estamos diante do festival Doom Over, que acontecerá em alguns dias (06/01), em João Pessoa/PB. Tocamos, nesta ultima temporada, em alguns eventos dentro de nosso estado, como o Blizzard of Rock, tradicional festival da cidade de Vitória de Santo Antão. O público local, comparece e participa, mas é um público mais tímido em número, constituído, em grande parte, por aqueles headbangers fiéis, que estão sempre prestigiando as bandas.

6 – Aqui na região Sudeste os Headbangers são admiradores confessos de muitas bandas de Estados da Região Nordeste. The Cross, Mystifier, Decomposed God, Infested Blood e muitos outros sempre são lembrados. Como a cena especificamente no Estado em que vocês moram?

Amanda – Há muitas bandas em atividade (muitas, mesmo), e um público que, embora modesto, é apaixonado por metal, e que prestigia e vive o movimento. Considero um bom momento para as pessoas que gostam de tocar e/ou ir a shows. Tem acontecido até bastantes eventos, discussões para melhorias… Claro, a coisa pode se consolidar bem mais, se houver mais participação e união (sendo utópica, muito provavelmente), que não são os fortes. Mas há muitas pessoas fazendo algo positivo, então, a cena se mantém. Vejo a galera sempre antenada com o que tem acontecido país afora, compartilhando novidades, acompanhando as bandas, os canais de divulgação…

Temos um zine local com 30 anos de atividade, que está sempre trazendo novidades, contribuindo pra as informações girarem… Há coisas acontecendo, e mantendo a cena em atividade. Apesar de cultuarmos um estilo musical que não faz parte, tradicionalmente, da nossa cultura, somos um povo muito artístico e temos músicos muito bons. Podemos fazer metal, também, com toda propriedade necessária. Sai muita coisa de qualidade, daqui. Haja vista o prestigio que dão lá fora às bandas brasileiras que conseguem mais visibilidade. Precisamos valorizar mais o que é nosso.

7 – As novidades tecnológicas mudaram a forma do ser humano se relacionar. E o cenário musical para qualquer estilo foi drasticamente afetado por estas mudanças. Hoje temos as mídias sociais, e a forma de vender e divulgar música é outra. Na opinião da banda quais são os pontos positivos e negativos desta realidade?

Amanda – A propagação de um trabalho musical ficou astronomicamente mais rápida que em alguns anos atrás. A facilidade de comunicação, de troca de informações, a visibilidade que se pode obter… A divulgação por meio da internet, obviamente, tornou as coisas muito mais fáceis. Pode-se acompanhar de perto o feedback do público, interagir com ele, com outras bandas, com pessoas do outro lado do mundo… Hoje, uma banda que realize um trabalho de qualidade, com uma boa estratégia e um pouco de dedicação, pode fazer seu nome rodar o mundo. Não estou falando de ficar famosa, mas de atingir um público relevante, que busca por aquilo que ela oferece.
Dentre os pontos negativos: as pessoas acabaram por se acomodar com essas facilidades, se limitando àquilo que têm acesso na rede, e deixou de lado o presencial, o participar, frequentar shows, adquirir materiais físicos etc.

Ora, elas podem baixar um álbum completo de graça, ou conferir um show indo no YT… A coisa toda ficou meio “banalizada”. Não há mais aquela magia de se descobrir um trabalho novo, através de um novo cd comprado ou emprestado de um amigo, de folhear as páginas de uma revista especializada, bater um papo e trocar informações sobre bandas etc. Claro que, hoje, isso ainda existe, mas é cada vez mais virtual. Em suma, o saldo é muito mais positivo que negativo: o conhecimento ficou muito mais acessível. E, para as bandas, a realização e divulgação do seu trabalho, muito mais descomplicada.

8 – Outro canal importante de divulgação é o Youtube. Hoje não se divulga somente clipes, mas álbuns inteiros na semana de lançamento nos canais das gravadoras. Acredito que traz um feedback importante pois o fã pode inclusive saber como é a banda ao vivo. Vocês continuarão apostando em vídeo clipes e lyric videos?

Amanda – Sim, consideramos a divulgação por meio de vídeos uma das formas mais eficientes de se atingir um público, atualmente. Muitas pessoas ampliam seus conhecimentos musicais, e descobrem novidades, fuçando o YouTube. Procuram álbuns, lançamentos, trabalhos antigos, videoclipes, performances ao vivo, entrevistas etc. Os videoclipes fazem o público sentir a banda muito mais “de perto”, e são a forma mais completa de exibi-la na rede, pois reúnem as informações sonoras e visuais de forma prática e atrativa. Um clipe novo está em nossos planos para 2018.

9 – Outra questão são os lançamentos em tiragem limitada por parte das bandas. Vi um anuncio de um box da banda no Facebook. A tendência agora é ter sempre um material exclusivo para os reais fãs. Teremos mais lançamentos específicos no futuro?

Amanda – O box surgiu a partir da necessidade de termos um material decente para deixar com promotores de eventos. Diversas vezes, nos pediram um material que não tínhamos para apresentar. Preparamos, levamos o box para um show e deixamos na mesa, sem muita pretensão, junto às camisas e cds que já vendíamos. A galera que viu, curtiu a ideia, adquiriu, e no fim, ainda ficou faltando, tivemos que produzir mais! Foi uma experiência muito positiva, devemos fazer algo semelhante no futuro, sim.

10 – A cena Doom Metal Brasileira surpreende a cada dia com novas bandas e veteranas marcando presença. Porém tirando poucos sites e zines vemos que ainda há muito a ser feito para que haja o merecido reconhecimento. O que vocês têm acompanhado e recomendariam? Vocês tem contato com algumas bandas?

Amanda – Há bandas maravilhosas, e realmente surpreendentes no Brasil. Trabalhos riquíssimos, e muito bem gravados. Não há forma mais eficaz, senão, ir atrás, mesmo. Acompanhar páginas dedicadas, sites especializados, discussões, procurar recomendações de amigos… Temos contato com várias bandas, e é bem difícil citar algumas, deixando de mencionar outras. Não apenas no Doom Metal (The Cross, Soturnus, Aporya…), mas também fora dele – somos parceiros e admiradores confessos de várias bandas locais, com as quais dividimos palco, conhecemos pelos shows, fazemos parcerias etc. (Revenge to Betrayal, Transylvania, Saga HC, Under The Gray Sky, entre muitas outras).

Também vale citar duas ótimas bandas que a Seeds conheceu recentemente, no nosso último intercâmbio: Heavenless e Lasting Maze. Aproveitando, recomendo uma excelente banda de Funeral Doom, também de PE, a já citada Under the Gray Sky, que está preparando um EP para este ano, e que, pelo que já vemos a banda apresentar em palco, tem tudo pra ser uma grande obra do Funeral Doom nacional (sem demagogias), vocês podem conferir o som deles através do primeiro single da banda, “In Limit of Soul”.

11 – Também vi recentemente uma postagem com um cover da banda Draconian. Haverá mais covers no futuro?

Amanda – Algumas bandas acabam trazendo características próprias a um cover e marcando o público ouvinte. Publicamos na página a banda um pequeno trecho de “Bloodflower”, quando começamos a tirá-la no estúdio, pra a galera ficar sabendo que estávamos preparando cover pra apresentar nos shows. A primeira vez que tocamos, quando anunciamos a música no palco, o publico vibrou, entusiasmado. O mais legal de tocar cover, é que são músicas que, muitas vezes, as pessoas já curtem, já ouviram pra caramba, estão bem familiarizadas, e não esperavam ouvir aquilo ali, e isso gera certa excitação na plateia. E são obras pelas quais temos muito apreço, e temos ali a oportunidade colocar um pouco da nossa marca.

12 – Por último gostaria de deixar vocês à vontade para as considerações finais. Deixem um recado para o público.

Amanda – Em nome de toda a Seeds, eu lhe agradeço pelo espaço, e interesse em saber de novidades e curiosidades sobre nós. Ao pessoal que nos acompanha, ou nos conheceu agora e quer saber mais, fiquem ligados, que estamos preparando novidades para este ano. Acompanhem-nos na nossa fanpage, onde reunimos todas as informações sobre a banda, agenda e tudo mais. Fiquem à vontade para interagir! Por fim, consumam o metal da sua cidade, prestigiem as bandas e fortaleçam a cena! Abraço!

https://soundcloud.com/seeds-of-destiny

Por: Leandro Fernandes

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