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RASTROS DE ÓDIO – virulência musical e lírica

dezembro 18, 2017 7:30 pm by: A+ / A-

Agregando a sua sonoridade intensa e lírica contundente vários sub estilos do Underground a banda mineira recentemente lançou seu debut álbum “Escravos Modernos”, aproveitamos para conversar com seu mentor e “faz tudo” Cleuber “Tosko”.

1 – Cleuber, como membro fundador do Rastros de Ódio ouso dizer que você é o “motor”, cérebro por trás de tudo que rola em relação a banda, acertei? Ai me vai o primeiro questionamento, tendo a musicalidade da banda gravitando em estilos como Punk, Hardcore, Thrash e Grind; ou seja, virulência/agressividade musical no talo. O nome da banda é um reflexo disto além de uma visão niilista do mundo?

Cleuber “Tosko” (g) – Satisfação falar com você véi! Então como eu fundei a banda e sou o único membro desde a fundação rola mesmo esse lance. E por questão deu ter trabalhado sozinho por um longo tempo, enquanto procurava integrantes, fui compondo as letras e as bases musicais e acabou que as músicas dos dois primeiros CD-EP compus sozinho. E do nosso recente álbum Escravos Modernos também, exceto a faixa No Inferno De Dante, que é do nosso batera, o Marcus. Então tem esse lance de ser o motor da banda, o cérebro, por causa disso, e claro, também sou eu que agendo e negocio os shows, faço os merchans, e etc… Faço todo o corre que tem que ser feito. Como diz o meu pai: o dono do boi é que pega nos chifres.

Sim, o nome da banda vem disso, sintetizando essa mistura musical. Porque eu tenho muitas influencias musicais que vão além do Metal, então a ideia do Rastros De Ódio nunca foi fazer um som reto e totalmente rotulado. E tenho sim essa visão niilista, por mais que eu às vezes quero acreditar, não vejo nada de esperança e mudança do homem.

2 – Tudo que o Rastros do Ódio lança é pelo selo/distro que você mantém. Esta “política” no caso particular da banda está dando o resultado esperado?

Cleuber – O fato de a gente lançar pelo próprio selo, Sinfonoise Distro Records, é que muito dificil conseguir apoio de selos ou gravadoras. Então agente mete a mão no próprio bolso e banca o que tem que ser. Eu criei o selo no mesmo dia que fundei a banda, porque já sabia que teríamos dificuldades de ter apoio.

3 – Não houve uma procura para que selos em parceria pudessem lançar ou isto sequer foi cogitado, haja vista que é uma prática bastante corriqueira; eu mesmo até agora só lancei bandas neste formato: parcerias. Todavia é patente que há muito pilantra no meio, entupido, rip offs mesmo. Mas enfim, esta hipótese não foi aventada?

Cleuber – Para o álbum não. Não buscamos selos para lança-lo, buscamos para distribuir, mas as formas de negociação para distribuição não nos atraíram, uma vez que a banda decidiu vender o álbum por um valor bem abaixo, R$10,00, do normal do mercado de full álbuns. Então negociar com selos um CD que já está num valor baixo, ficou complicado para nós, até porque investimos muita grana entre gravação e prensagem.
Antes do álbum ser lançado, tínhamos um projeto para lançar um 7 EP com quatro faixas, e não conseguimos o número total de selos, daí já veio a frustração. Por isso decidimos lançar o “Escravos Modernos” do nosso próprio selo.

4 – Mas o usual é trocar um pelo outro, eu como selo não consigo vender toda minha quota e é interessante trocar um pelo outro para ter títulos diferentes. Você como manager de um selo sabe disto, quanto ao 7 EP uma pena mas acredito que com paciência consiga realizar este lançamento.

Cleuber – Sim, é o espírito Underground fazer essas trocas. E separamos um número de CD’s para isto, para trocas e para imprensa. Mas a banda precisa recuperar parte do que foi investido. Por isso não dá sempre pra fazer trocas. Como dono do selo Sinfonoise, eu também faço trocas, mas na maior parte das vezes, o meu selo compra os CD’s das bandas para revender. Acho que por eu ser músico e entender a dificuldade em juntar grana para lançar um disco, faço isso. Acho que você valoriza o trabalho dos músicos comprando o disco deles.

5 – A banda já participou de diversas compilations, o que aumenta seu raio de “ação”. Contudo este formado com o tempo foi perdendo sua atratividade, particularmente eu produzi algumas, mas hoje em dia prefiro no máximo os splits. O que de fato a participação nas compilations trouxe para a banda, cinco se não me engano correto?

Cleuber – Foram seis compilações entre nacionais e internacionais. O efeito de uma compilação é sempre muito bom, porque atinge um publico diversificado. Às vezes o cara não compra o material pensando exatamente na sua banda, e sim em outra, mas acaba conhecendo e gostando da sua banda. É uma chance de chegar a uma pessoa, ou a um país, indiretamente. E assim essas coletâneas nos trouxeram mais apreciadores do nosso som que passaram a manter e se interessar por nossos materiais. Mesmo em tempos modernos, de coletâneas virtuais, o efeito, em termos de propagação e divulgação, continua o mesmo e seu objetivo se manter firme.

6 – Você produz um artefato que eu sinceramente tenho orgulho por duas razões: pela garra e o seu conteúdo e por ter a honra de participar, estou aqui falando do Caoz Magazine. Impresso, colorido, bem diagramado e com um conteúdo mui precioso. Contudo nem tudo são flores, afinal para conseguir anunciantes e até repassar as cópias você e outros guerreiros enfrentam muitas dificuldades.

Cleuber – Não é fácil manter uma publicação no Brasil, ainda mais se tratando de algo que zela por qualidade gráfica e conteúdo. Ainda mais quando essa revista é voltada apenas para o underground. Aí sim, o mercado se torna menor. Minha dificuldade em tocar essa revista pra frente são vários, como conseguir anunciantes, conseguir tempo para fazê-la, conseguir gráfica de qualidade, com um bom preço, mas, principalmente, é conseguir público. Por mais que a galera do underground, público e músicos, reclamam dos poucos veículos de apoio voltados para a nossa cena, no fim agente não consegue vender todos os exemplares. Então eu fico confuso com isso. Pois quando não tem a galera reclama e quando tem eles não apoiam. Isso é desestimulante.

7 – Frustrante realmente, tenho meu portal, mas gosto muito de pegar uma revista, zine para ler. Recentemente o veterano MOSH voltou à ativa; eu penso em lançar versão em zine também, estou fazendo parte de uma equipe responsável por divulgar cada um a cena de seu respectivo estado. Mas me cabe perguntar, a Caoz vai continuar?

Cleuber – Legal véio, acho que temos que dar seguimento aos impressos, a mídia online é de extra importância também por sua facilidade em alcançar pessoas no mundo todo em apenas um clique, além da vantagem dos programas de tradução online, e etc. Mas, os impressos tem que continuar na ativa. A Caoz Magazine não morreu, mas tive que dar um tempo na revista por causa de várias coisas que aconteceram ao mesmo tempo e minha falta de tempo para dedicar a tudo.

8 – Ufa, que alivio. Mas voltando ao Rastros de Ódio, passados oito meses do lançamento do álbum em que pé estão as atividades da banda, planos – além do 7 EP supra citado?

Cleuber – Então, oito meses, além de alguns CD’s vendidos, fizemos poucos shows do álbum, esperamos tocar mais em 2018. Tivemos que parar as atividades da banda por hora, porque me tornei papai na segunda feira (04/12/17), pra quem já teve essa experiência, sabe bem como são essas fases, precisamos de tempo, para dedicar a esposa ao bebê e a casa. Tivemos uma linda menina. A esposa do nosso batera também está grávida, então a banda vai ficar ainda um tempo de molho em termos de sequência de shows, mas planejamos pra 2018 algumas apresentações esporádicas e um lançamento de um EP.

9 – Parabenzzzzzzzzzzzzzzzzz Cleuber!!! Felicidade total hein? Como pai e avô (sou old rsrrs) sei perfeitamente o que o amigo está sentindo. Sobre este EP o que poderia nos adiantar?

Cleuber – Pois é, meu véio, não existem palavras no mundo para descrever a sensação, ainda mais que eu e minha esposa estamos sendo pais pela primeira vez. Está sendo maravilhoso. O EP é ideia do Marcus, ele pensa em lançar umas duas ou três músicas novas e pegar umas duas músicas antiga da banda, da época do EP “O Mundo Em Estado De Óbito” e de “Bem Vindos Ao Brasil”, e regravarmos. Será legal isso. Eu tenho umas cinco músicas novas para um futuro álbum que até devem entrar nesse EP. A banda tinha planos de em 2017 fazer uma mega excursão do Escravos Modernos pelo país, além de países latinos e a Europa. Mas pausamos tudo. Vamos retomar essas atividades aos poucos.

Os contatos continuam, por isso vamos lançar um EP pra mostrar paro o público que a banda não está morta e que ainda tem muito som brutal pra tocar. Nosso Baixista Tim, agora é dono de uma ótima e espaçosa casa de shows aqui em BH. Lá, agora, é o QG da banda. Além de palco com equipamento sonoro completo e de ótima qualidade, teremos também um estúdio próprio, e até lugar pra dormir e nos embebedarmos (risos). Isso é ótimo para uma banda, esse tipo de aconchego, um lugar que você se sente bem: toca, bebe, dorme e não se preocupa com a hora de ir embora e nem com valor de ensaio.

10 – Cleuber acredito que nossos visitantes puderam conhecer um pouco mais das atividades da Rastros de Ódio e o deixo à vontade para externar suas ultimas considerações.

Cleuber – Jaime, te agradeço novamente pelo espaço cedido. Quem tiver afim de adquirir nosso álbum, e conhecer mais sobre a banda acesse nosso site. É isso aí! Valeu!

www.rastrosdeodio.com.br

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