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SONS OF CROM – filhos da Escandinávia

novembro 12, 2017 8:29 pm by: A+ / A-

Os SONS OF CROM levantaram sua bandeira pela primeira vez em janeiro de 2014. Em Haparanda, a parte mais setentrional da Suécia, Janne Posti e Iiro Sarkki uniram forças para cumprir sua visão de músicas de metal épico com letras grandiosas. Tirando a inspiração da mitologia nórdica, do cinema heroico e do eterno legado de Quorthon. Fomos bater um papo com Janne e Iiro sobre o lançamento do grandioso The Black Tower, segundo álbum da dupla que acaba de ser forjado nas fornalhas mais obscuras da Ciméria.

1 – Primeiro é um imenso prazer bater esse papo com vocês. Conte-nos um pouco sobre o início da banda.

Janne – Iiro Sarkki e eu somos primos, nos conhecemos por todas as nossas vidas. Nós já estamos juntos e criando música a muito tempo. Uma vez enquanto tocávamos no estúdio (Iiro atrás dos tambores e eu na guitarra), decidimos improvisar uma música lenta, épica e doomica, que nós prontamente fizemos. Felizmente, gravamos a improvisação inteira de mais de dez minutos, que se tornou a música “Victory”, a qual arrumamos e trabalhamos na íntegra durante os dias seguintes. O resultado final foi satisfatório, e decidimos seguir esse caminho ainda mais. E assim os Sons of Crom nasceu.

2 – O Sons of Crom se destaca muito por seu alto nível de composições, com um andamento épico e uma sonoridade que remete a um clima intenso e ao mesmo tempo soberbo. Conte-nos um pouco quais as fontes de inspirações de vocês na hora de compor?

Janne – A principal inspiração foi, e ainda é, uma visão de grandeza épica e uma melancolia arcaica. Claro que há mais influências concretas, como a música de Bathory, Uriah Heep, Basil Poledouris e um milhão de outros, filmes como Conan O Bárbaro, mitologia finlandesa e nórdica, etc., mas essa visão artística claramente definida em nossas mentes é o que leva a nossa narrativa e o que realmente serve de decisões para nós em relação a parâmetros como tempo, instrumentação, atmosfera etc.

3 – O Sons of Crom lançou seu primeiro álbum em 2014, o fantástico “Riddle of Steel” (2014), passado esse tempo e com o lançamento do álbum mais recente “The Black Tower” (2017), como vocês avaliam sua repercussão?

Janne – “Riddle of Steel” é o nosso primogênito, ou pelo menos ele detém nossa primeira vitória, e o primeiro passo de uma jornada, e ele é sempre o mais importante. Ele nos colocou no nosso caminho, e apresentou vários aspectos do nosso som. É uma cápsula do tempo do nosso ofício no início de 2014, e embora tenha suas falhas como alguns valores de produção, ainda estamos imensamente satisfeitos com ele. Avançamos vários passos positivos em “The Black Tower”, tanto em relação à variedade de gênero, quanto em arranjos e instrumentações mais sofisticados, a inclusão de violinos e uma imagem de som mais clara.

4 – Uma das coisas que é perceptível é o trabalho gráfico das capas do Sons of Crom. Fale um pouco sobre a arte de “The Black Tower”, visto que vocês trabalharam novamente com Helgorth da Babalon Graphics (Archgoat, Ensiferum, Anal Blasphemy).

Iiro – Helgorth fez um trabalho incrível em nossa estreia, então ele também foi uma escolha natural para nós na capa de ‘The Black Tower”. Como você provavelmente notou, gostamos de brincar com simbologia e nossa capa do segundo álbum não é diferente. A capa de TBT oferece esses fortes e vívidos temas como a necromancia, a ascensão espiritual e a vida após a morte para citar apenas alguns, e em nossa nova capa queríamos implementar esses temas em um cenário que provoca-se o pensamento para que o espectador pudesse encontrar suas próprias conexões com a música e as letras subjacentes. A arte da capa realmente funciona como uma ponte forte entre “The Riddle of Steel” e “The Black Tower”. Em “The Riddle of Steel”, o final da história é deixado aberto de modo intencional e deixamos algumas perguntas no ar como por exemplo o que acontece com o nosso protagonista? A morte acabou por alcançá-lo?

Não vamos lhe dar a chave da nossa lógica por trás dessa imagem, pois isso venceria o propósito, mas posso dizer que a capa de The Black Tower definitivamente serve como uma transição direta entre as histórias dos nossos álbuns e a do nosso herói corajoso.

5 – A evolução do álbum “Riddle of Steel” para o “The Black Tower” é impressionante, conte-nos um pouco sobre o conceito por traz deste novo lançamento, pois parece que ele veio direto da Ciméria.

Janne – Considerando que “Riddle…” teve os esforços mundanos e terrestres de um guerreiro em foco, ‘The Black…” olha além das estrelas em dimensões desconhecidas. O que está além do véu mortal deste mundo? A morte é a mesma que a vida? Como a reencarnação e a necromancia se encaixam no nosso paradigma linear? As letras lidam com essas coisas, e às vezes utilizam arquétipos mitológicos para pintar a história com uma paleta adequada para a música. O deslocamento do foco lírico exigiu que a música seguisse o exemplo, e os mundos do outro mundo, e o astral são retratados por camadas adicionadas de coros, violinos e arranjos orquestrais, que são muito além dos que usamos no “Riddle…”.

6 – O lançamento de “TBT” foi no dia 18 de agosto de 2017 em território europeu pela gravadora Nordvis Produktion e na América do Norte via Bindrune Recordings. Há alguma negociação para uma distribuição na América Latina em especifico no Brasil?

Janne – Não tenho ideia, mas é certo que vale a pena procurar, pois temos muito contato de fãs de áreas mais distantes, como a América do Sul e a Ásia. Por enquanto, há pelo menos as versões digitais online que estão disponíveis em todo o mundo.

7 – Como funciona o esquema de composição de vocês visto que é um duo? E com relação a shows?

Janne – Uma vez que vivemos muito distantes, a maioria do nosso trabalho de composição é feito em nossas casas separadas. Compartilhamos nossas ideias musicais, líricas e conceituais de modo on-line, discutimos e damos o feedback, e continuamos onde o outro “faleceu”. Algumas vezes por ano, nos encontramos pessoalmente e escrevemos, confeccionamos e gravamos juntos, o que, naturalmente, seria a nossa maneira preferida de trabalhar. Infelizmente, a logística não ajuda muito. De qualquer forma, todas as músicas e letras devem resistir profundamente com os dois, caso contrário será modificado até que ele faça.
Tivemos alguns planos preliminares para a criação de uma formação ao vivo, mas isso ainda está no futuro. Por enquanto estamos felizes com a criação e gravação de álbuns, com uma expressão completa, incluindo imagens, como a capa de arte e layout, mas em algum tempo no futuro seria bom trazer a palavra de Crom para o palco ao vivo também.

8 – O Metal não tem fronteiras e chega a lugares inimagináveis, o que vocês conhecem da cena brasileira?

Janne – A cena brasileira não é tão acessível aqui na Escandinávia, e eu também não mergulhei profundamente na mesma. Porém é claro que os clássicos como Sarcófago, Vulcano, Sepultura e Mystifier me são familiares desde o início dos anos 90, e certamente eles têm uma vibração estranha e diferente quando comparados aos seus homólogos europeus ou americanos. O “Göetia” do Mystifier, por exemplo, foi uma audição bastante surpreendente em primeiro lugar, esse álbum tem um tipo de charme que me fez escuta-lo várias vezes e com o tempo realmente comecei a apreciá-lo. Ah! E Krisiun, é claro. Grande banda, muito brutal!

9 – Bom foi um imenso prazer ter esse diálogo com vocês. Desejamos vida longa ao Sons of Crom e o espaço é de vocês para tecerem seus comentários. Que os corvos de Odin guiem os passos de vocês.

Janne – Obrigado pelo interesse e apoio! Embora Crom nunca se preocupe com nada, seus Filhos continuarão carregando a tocha da magnificência épica, contando histórias de vida, morte e além. Salve!

Iiro – Muito obrigado e continue espalhando a palavra do verdadeiro Metal! Salve o Brasil, mantenha-se real! Um forte abraço Ivan!

Contatos:

https://sonsofcrom.com/
https://www.facebook.com/sonsofcromofficial/
https://sonsofcrom.bandcamp.com/
https://www.youtube.com/channel/UC_XDQE8B1oju_xBnyPynXzQ

Por: Ivan Souza

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