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INSECTICIDA – Thrash Metal da Gota Serena

abril 26, 2017 10:19 pm by: A+ / A-

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“Thrash Metal da Gota Serena”! Eis o cartão de visita do quinteto pernambucano e meus amigos que belo cartão de visita, o video clipe desta música destes thrashers recebeu uma quantidade enorme de visitas e este old thrasher foi conferir e gostou muito do que viu e ouviu. Credencial que me levou a procurar a banda e através do seu vocalista fazer esta entrevista, confira!

1 – Sem muita conversa e com papo reto, se tem um subestilo de Metal que gosto este responde pelo conceito chamado Thrash Metal, é o que mais gosto dentro riquíssima estética musical (estilo de vida para muito de nós headbangers). E quando tem uma “queda” pela gloriosa e saudosa década de oitenta então ai este old banger paga pau geral kkkk. Então ao ler a biografia da banda me deparo com  a seguinte descrição da sonoridade do Insecticida: “tem uma proposta muito simples e direta: fazer Thrash Metal nos moldes oldschool 80’ e sem nenhuma firula ou experimentação.” Vamos lá Juan nos conte a razão de vocês centrarem suas energias e vontades nesta direção.

Juan “Mosh” Apolinario (vocal) – Quando montamos a banda, a gente tentou ver qual som era comum à todos os integrantes e o Thrash Metal oitentista era esse som. Todo mundo era fã das mesmas bandas, era o único estilo unanime entre nós e quisermos fazer um som nessa linha. Nos ensaios o som foi fluindo naturalmente e deu no que deu.

2 – Sorte grande para nós thrashers rsrsrsrs. A banda é oriunda do interior pernambucano, precisamente de Timbaúba; com certeza enfrentaram dificuldades por estar distante da capital. Como é o relacionamento de  vocês com a cena de Recife e do estado pernambucano como um todo?

Juan – Com certeza, são muitas dificuldades. Primeiro por local de ensaio, não tem nenhum estúdio acessível na cidade. Quem salva nossa pele é o parceiro Nenzo (guitarrista de outra banda da cidade) que cede um espaço improvisado pra ensaio. Já a cena de Recife nunca foi muito receptiva com bandas do interior, talvez pelo fato de já existirem inúmeras bandas para serem divulgadas da própria capital ou algo assim. Então, tocar em Recife é algo raro para bandas do interior, com exceção das mais antigas e destacadas.

Já o público parece gostar do nosso som mesmo de longe, na internet recebemos alguns elogios e sempre perguntam quando vamos tocar na capital. A resposta é sempre “estamos ansiosos para isso”. Já as cidades vizinhas, do interior tem uma união impressionante. Ao menos um festival por ano é realizado em cada cidade da Zona da Mata Norte de Pernambuco e as bandas de praticamente todas as cidades são convidadas, a galera realmente tem vontade de apoiar as bandas novas e antigas. Sem contar a agitação do público que faz um show com 50 pessoas ter uma energia parecida com um show do Slayer no Wacken. Enfim, acho a cena de Recife muito foda com bandas de altíssimo nível, mas acredito que as bandas do interior e bandas novas de lá mesmo poderiam ter mais espaço na cena.

3 – A história se repete aqui na Bahia também, se bem que daqui da minha cidade (Feira de Santana, distante 108 kmts da capital) tocam com frequência por lá. Mas a dificuldade é semelhante, o maior festival é realizado em Poções, estive na última edição e fiquei boquiaberto com a estrutura. Mas vamos em frente afinal a vida nos dá pedras para pisarmos em cima e ou desviarmos, beiço de jegue não é arroz doce rsrsrs. Falando no nosso inestimável jegue nos conte mais sobre a ideia por trás do vídeo clipe da música “Thrash Metal da Gota Serena”.

Inclusive o Jegue que aparece no mesmo rouba a cena, há por parte da banda uma clara manifestação de orgulho de serem nordestinos (Hail) sem ser piegas e xenófobos ao mesmo tempo. Porém mostrando nossa origem e nada melhor que inserir este ser que muita ajuda o sofrido sertanejo, se bem que hoje em dia esteja bastante menosprezado, já vi vaqueiros trabalhando de motos pastos à dentro kkkkk. Enfim, nos conte um pouco mais sobre a escolha desta música em particular e como foi a filmagem do clipe.

Juan – Sobre o clipe, depois que a música foi tocada pela primeira vez aqui, a galera da cena comentou muito sobre a canção. Uma música que nunca tinha sido tocada tava na boca da galera no mesmo dia que estreou. A gente percebeu que isso não se devia ao fato da banda ser criativa, mas de ser uma canção feita pelo espírito undergound característico da nossa região. Ela tinha tudo que a gente sentia na galera, orgulho de ser nordestino, humor, fúria e energia na letra. Então os méritos da canção vão para a cena e não para banda. Toda essa animação merecia ser eternizada, resolvemos grava-la e pensamos em um clipe para deixar a lembrança mais forte.

 As ideias das zueras do clipe foram tão naturais quanto à música. O jumento tava lá no local da gravação, assim como a galinha. Só foi juntar tudo. Um detalhe interessante é que o mosh pit tinham poucas pessoas, mas um número muito maior ficou de ir pra gravação. A grande maioria só não foi porque tinha que ir pra feira de frutas e verduras da cidade que ocorre só no sábado, ou pra trabalhar ou parar comprar. Logo não puderam ir por um motivo justíssimo, afinal ninguém merece ficar sem o inhame de sábado.

4 – A visitação ao clipe foi enorme, esperavam por tamanha repercussão? Já há outros clipes em vista?

Juan – Nem nos nossos sonhos a gente esperava esse alcance. Se me dissessem que iríamos ter metade das visualizações que temos hoje antes de gravar o clipe eu daria risadas. O que não é tanta coisa perto de músicas comerciais, mas já é muito mais do que qualquer expectativa. Como disse, o clipe era apenas para eternizar uma canção que nossa galera gostou. Mas já que mais gente além da galera da região curtiu, a gente fica muito feliz e com vontade de produzir mais. Inclusive pensamos em fazer mais clipes, não dá pra dizer quando, mas em algum momento desse ano deve sair algum vídeo novo de outra música nossa.

5 – Muito bom! Bem o Insecticida está com a demo “Deu a Mulesta dos Cachorro” recém lançada, em conversas que tivemos informalmente você me relatava a dificuldade de ter uma distribuição mais eficiente, ai me cabe uma pergunta: vocês estão fazendo os corres, pesquisando, contatando para efetivamente ter o material de vocês circulando? Afinal nada cai do céu, a não ser chuva e bosta de passarinho kkkkk.

Juan – Pois é, existem muitas dificuldades e acredito que seja para qualquer banda de Metal iniciante no Brasil. No entanto, estou surpreso com o apoio da galera, quando procuramos uma distribuidora ela se mostra sempre bem receptiva e com vontade ajudar. O brother Matheus Medeiros de Menezes de Natal, por exemplo, foi o primeiro a dar uma força e distribuir nosso material por lá. Agora corremos atrás de novas parcerias pra espalhar nosso som, a ideia é conseguir vender 1000 demos e usar o dinheiro para gravação de um full-lenght com qualidade de estúdio para poder passar nosso som o mais cru possível pra galera.

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6 – Very good, já que o metalbrother citou vamos a porrada kkkk. Full lenght! O que se pode adiantar sobre o mesmo? Irão usar musicas da demo? Regravarão estas musicas? Todas serão usadas no full? Quantas músicas novas irão entrar e quantas musicas terá o track list?

Juan – Bem, estamos nós reunindo para compor regularmente. Estamos tentando fazer a parada mais natural possível, assim como o clipe foi. Então estamos fazendo brainstorms a todo vapor e quando chegarmos num ponto que teremos músicas suficiente e coesas para um full, o disco estará pronto para gravar. Pretendemos regravar e melhorar as músicas da demo que forem pro disco e esperamos um número de músicas entre dez e quinze petardos. Não prometemos um disco cheio de técnica ou algo assim, mas prometemos um disco feito com a alma, feito por cinco almas nordestinas.

7 – Bala, já tem em mente um título?

Juan – Estamos pensando em “Thrash Metal da Gota Serena” ou algo totalmente novo. A ideia de usar o nome da música é que ela representa a essência da banda. Mas no meio do caminho se a gente vê que outro nome vai soar melhor, a gente usa outro. A regra sobre tudo que é produzido na banda é a mesma de sempre: não tem regra. Isso vai valer pro título do full.

8 – O Heavy Metal é por essência uma estética musical marginal; marginal não no sentido pejorativo, acredito que para maioria da população até seja, porém desde seus primórdios fica bem distante dos padrões que a sociedade ocidental tem como padrão. Evidentemente atraindo a legião de cultuadores de sua musicalidade única/ímpar mantém uma distância de padrões conservadores, como a merda da religião. Basicamente do câncer chamado cristianismo e por tabela judaísmo, islamismo e afins. O Satanismo foi usado primordialmente mais como uma metáfora, quem acredita do Satanismo do Venom deve sofrer de uma diarreia mental, puro marketing. Mas é uma oposição clara a algo conservador e nefasto como o cristianismo; mais pra frente muitos foram adentrando nesta temática com profundidade e a meu ver cometem mesmo erro que tanto criticam no White merdau.

Mesmo assim particularmente acho melhor que assim seja apesar de não acreditar nem em deu$ nem no diabo, são lados opostos da mesma moeda, coexistem e se você cultua tanto um como outro acredita na existência do opositor. Agora usar ele como veículo para propagação de algo tão conservador nem fudendo, ai cabe como uma luva o inverso. Tua banda definitivamente não é White senão eu nem a estaria entrevistando e muito menos a sua pessoa como representante dela. Contudo você é assumidamente cristão e foi corajoso ao sair de sua privacidade e postar no facebook recentemente algo a respeito. Há muitos músicos de muitas bandas boas, não White, que são judeus e cristãos. Enfim, eu sinceramente não misturaria minha vida particular com a banda, que necessidade você teve de fazer isto? Arrependeu-se?

Juan – Pois é, sou cristão. No entanto, isso pertence a minha vida particular e não misturo com nada do Insecticida. As letras são feitas para encaixar na proposta da banda, então todos analisam as letras feitas e decidimos se representa o que queremos passar, como a banda é formada por cinco pessoas e ninguém além de mim tem fé, o resultado é que nenhuma letra aborda tema de qualquer religião. Mesmo se eu pudesse colocar isso nas letras, não o faria porque não acredito que isso caiba no Insecticida.

Eu me posicionei exatamente porque algumas poucas pessoas não compreendem isso. Alguns até não aceitam o fato de que eu seja cristão, mas para esses eu não ligo e não interessa a opinião. Só que acredito que se eles não gostam do Insecticida por esse motivo, tem que quebrar seus CDs do Slayer e nunca mais ouvir para que sejam coerentes, já que o Araya também é cristão, só que igual a mim, não mistura sua fé com a banda. Isso é tudo que tenho para falar sobre o tema.

9 – Slayer, Anvil, Iron Maiden, Blind Guardian e outras tantas que não sabemos. Esta inquisição reversa é foda, fazer o mesmo que se condena é um paradoxo fudido. Porém como disse Metal não é veiculo para pregação. E de boa se algum fela da puta vier fazer fofoca de mim vou logo avisando: vá tomar no seu….. Voltando ao álbum, me recordo que você me mostrou uma arte, contudo já me adiantou que não irá usa-la mais, que tem outra ideia para mesma. Pode dizer qual seria?

Juan – Inquisição reversa, gostei do termo. Mas falando da capa, a capa que mostrei tinha um elemento na composição da imagem que pertencia a um artista canadense, então preferimos não usa-la mais. Acreditamos que temos artistas tão bons quanto esse gringo e agora queremos alguém que faça a capa mais caótica possível.

Queremos que a capa represente em uma imagem o que o título “Thrash Metal da Gota Serena” carrega em sua essência. Então, mesmo que a capa nem tenha sido feita, eu tenho certeza que acharemos um artista brasileiro que faça a capa mais caótica dos últimos tempos, já que temos grandes artistas neste nosso Brasil.

10 – Camarada acredito que aqui mostramos aos visitantes do TheMetalVox um pouco da produtiva e fudida trajetória do Insecticida. Agradeço pelo tempo cedido e o deixo à vontade para que você mande sua mensagem final aos nossos apreciadores.

Juan – Eu agradeço o espaço no TheMetalVox, que é um veículo muito foda de divulgação do Metal nacional. Queria agradecer também a cada um que curtiu, visualizou e compartilhou nosso som. Isso é muito importante, muito importante mesmo. E por fim, queria compartilhar o quanto vi o voluntarismo nessa trajetória com o Insecticida, a maioria das coisas não custaram nada e as que custaram foram por preços muitos camaradas.

Agradeço a cada um que ajudou a construir o Insecticida até hoje e digo que se chegamos até aqui é porque muitas pessoas se dispuseram a depreender seu tempo em nosso favor. Que tudo isso sirva de exemplo para todos e digo que o Insecticida está disposta a ajudar nossos parceiros do underground na medida do nosso possível. Que a cena seja formada por compadres sempre.

https://www.youtube.com/channel/UCa7O6bgVplHAx5ScPwCyMyw/videos

Por: Jaime “TheMetalVox” Amorim

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