sexta-feira , 22 setembro 2017

Home » Entrevistas » DRAGONHEARTH – de volta ao front…

DRAGONHEARTH – de volta ao front…

março 7, 2017 7:30 pm by: A+ / A-

dragonheart

O TheMetalVox foi bater um papo com um dos maiores ícones do Metal nacional a poderosa Dragonheart. Uma conversa regada há muito Heavy Metal. Marco e André falam sobre o início da banda, sobre o cenário nacional, pimenta e o álbum mais recente, o fantástico “The Battle Sanctuary”, que vem desbravando novos horizontes no mundo metálico, nacional e internacional. Com vocês a lenda do metal nacional Dragonheart.

THEMETALVOX – Como toda entrevista geralmente começa, conte-nos um pouco sobre a trajetória do Dragonheart, como foi o início da banda?

Marco – Eu e o Taborda e eu já tocávamos em uma outra banda curitibana chamada Brujah. Em julho de 97, com o fim desta banda nós queríamos fazer um Heavy Metal com mais energia e então decidimos chamar o Marcelo (meu irmão) para a bateria. A escolha não podia ter sido melhor, pois além dele ser bastante técnico, tem um grande conhecimento do Heavy Metal. Após ensaiarmos exaustivamente decidimos entrar em estúdio e gravar a demo que se chamou ‘The Gods Of Ice” tendo esta uma boa repercussão tanto no Brasil quanto no exterior. Com esse primeiro trabalho, fomos convidados para abrir o show do Blind Guardian que ia acontecer aqui em Curitiba, mas infelizmente não deu certo. Depois disso, mandamos o material para vários selos e a Megahard nos ofereceu um contrato que resultou no nosso primeiro CD oficial lançado no começo deste ano (2000) e que se chama “Underdark” e assim se deu o inicio de nossa trajetoria.

TMV – O Dragonheart após o primeiro álbum “Underdark” (2000), vocês apostaram em uma trilogia que iniciou-se com um grande clássico “Throne of the Alliance” (2002), depois o “Vengeance in Black” (2005) e após um longo intervalo o poderoso “The Battle Sanctuary” (2015). Conte-nos um pouco sobres os conceitos por traz dos álbuns, como eles se ligam, como as histórias se conectam?

Marco – Após o ótimo retorno que tivemos com o “Underdark”, resolvemos apostar em algo ousado para a época e realizar uma trilogia seguindo uma só linha lírica, a qual apoiasse nossa vertente musical. “Throne of the Alliance” foi um ótimo ponto de partida. Este álbum conta a historia de dois reinos destruídos pelo mesmo mal e ambos não viram opção a não ser se juntar e formar um só reino e contamos a historia desse reino, desse exército (exército da aliança), atras desse. Durante a jornada pelo caminho foram encontrando dificuldades. Uma delas é que algo maligno corrompeu várias pessoas dentre elas um rei de um dos reinos. O “Throne of the Alliance” conta esse inicio, O “Vengeance in Black” conta a trajetoria do exército contra esse rei corrompido e o “Battle Sanctuary” o final dessa trajetoria aonde o principal o General Dragonheart morre na batalha final. É em geral uma história que serviu muito bem de pano de fundo para o nosso estilo de musica.

TMV – Atualmente muitas bandas vem apostando em cervejas especiais (incrível como todo mundo virou mestre cervejeiro) para promover suas bandas e merchandise, o que diga-se de passagem não é ruim, mas se tornou meio que uma moda, onde muitas bandas se sentem obrigadas a lançar de qualquer forma (se é que me entendem?). Porém vocês na contra mão das cervejas lançam uma pimenta, ideia fantástica, pois é um diferencial. Como surgiu a ideia?

André – Antes de mais nada, queria dizer que a ideia de fazer uma cerveja da banda é antiga e chegamos perto de realizar por volta de 2010. A coisa acabou viralizando e muita banda fez, bem na mesma época em que nosso amigo que é mestre cervejeiro mudou o ramo de atuação profissional. Um outro amigo nosso começou recentemente a produzir pimentas e temperos e vender pela internet. Ele prepara alguns molhos de pimentas que são fantásticos. Foi sugestão dele colocar a marca da banda numa receita de pimenta dele e achamos a ideia legal. Fizemos uma pequena quantidade para verificar como a ideia seria recebida. O estoque está perto do fim.

TMV – O universo ligado ao Heavy Metal passou por muitas transformações, desde os anos 80, (e as mudanças são constantes), após esses anos de estrada e amadurecimento. Como vocês analisam o cenário atual na perspectiva do Metal de um modo geral, por exemplo, shows, público, venda de merchandise, exposição de bandas e etc?

André – As coisas são mais difíceis agora. O Heavy Metal possui algo que, se por um lado é uma virtude, por outro é um problema. O público de Heavy Metal é resistente a inovações estéticas, prefere sonoridades mais conservadoras, remanescentes de uma época que não mais voltará. Ao mesmo tempo, há uma enorme rejeição àquilo que soa como releitura deste modelo musical do passado. Fica difícil ser criativo, fica difícil soar como antigamente.

Paralelo a isso, a falência estrutural da indústria fonográfica fragilizou o gênero que sempre foi preterido da grande indústria. Houve uma época em que o gênero sobreviveu a partir de uma tribalização dele, a partir de uma fragmentação em subgêneros, às vezes até com revistas e gravadoras específicas destes subgêneros.

Esta fragmentação desuniu bandas, promotores de shows, produtores musicais e principalmente público, o que inviabilizou a autossuficiência econômica do gênero. Mesmo bandas que consideramos fortes, seus artistas vivem mais de atividades paralelas à banda (aulas de música, por exemplo) do que necessariamente de shows e vendas de álbuns. Bandas grandes que geram volume elevado de capital certamente não existirão mais. O Heavy Metal sobrevive mais da lealdade dos músicos ao estilo, da paixão que nutrem pela música que ouvem e fazem e de um público pouco se renova, mas também é fiel. Atitudes como a do Richard Navarro, de resgatar o BMU podem ajudar a renovar público e artistas e tentar refortalecer o estilo, mas é um trabalho árduo.

TMV – Após um longo intervalo sem gravar um álbum, como foi o processo de retorno, as composições a metodologia de trabalho de vocês para a composição de “The Battle Sanctuary”?

André – Acredite ou não, as composições para o “The Battle Sanctuary” começaram logo após o lançamento do “Vengeance in Black”. Entre 2006 e 2008 chegamos a tocar ao vivo as músicas “Black Shadow” e “Kill the Leader”, que foram as primeiras que ficaram prontas. “Far from Heaven”, “Battle Lines” e “Arcanes Palace” começaram a ser ensaiadas em 2007, quando paramos para remasterizar o “Underdark” e produzirmos o material que foi lançado na coletânea que saiu naquele ano. Depois de 2008 muita coisa imprevisível aconteceu e afetou o planejamento da banda, mas continuamos compondo.

Ensaiávamos menos, mas o Marco e o Marcelo na época compunham riffs e trabalhavam em letras. O Marco me mandava as ideias iniciais pelo MSN e eu gravava alguns arranjos pelo próprio MSN. Ficávamos trocando estes arquivos de áudio e inserindo informações musicais novas. Dessa forma surgiram “Circle of One”, “The Battle Sanctuary”, “Inside the Enemies Mind”. A última música que compusemos no album foi a “Time will Tell”, quando o Marcelo já havia deixado a banda. Eu, Marco e Thiago pensamos em uma letra enquanto comíamos pizza com cerveja num bar aqui de Curitiba. Gostamos muito da letra e da melodia. Enfim, somos muito intuitivos. Só gravamos aquilo que ao ouvir, achamos legal. Não ficamos planejando quais escalas e acordes devem estar e em qual lugar devem estar. Se achamos que tem o “punch” necessário e a melodia que nos agrada, o arranjo entra na música.

TMV – “The Battle Sanctuary” saiu por uma gravadora do exterior, há alguma possibilidade de um lançamento nacional? E a logística de distribuição e receptividade do público como está sendo?

Marco – Quanto a um lançamento nacional, infelizmente não há essa possibilidade, já que as gravadoras do Metal nacional não estão apoiando mais como faziam há anos atrás. No Brasil estamos somente agora conseguindo ter uma pessoa responsável para a venda dos cd´s. A forma principal de contato tem sido o Facebook. A receptividade tem sido a melhor possível sendo que como gravamos totalmente sozinhos e conseguimos um grande passo a independência. Creio que o próximo lancemos de maneira independente, quem sabem criemos um selo. As possibilidades estão em aberto.

dragonheart1

TMV – Como vocês analisam algumas discussões a nível nacional com relação aos bairrimos que ainda existem no nosso pais, visto que o Metal não tem território nem fronteiras. Porem vemos uma onde bandas e pessoas infiltradas no Metal que pregam ideologias ligadas a movimentos neonazistas e ideologias afins?

André – Quanto a bairrismo, isso é chato, complicado e desnecessário. Recentemente respondi numa entrevista em um programa de rádio que bandas de Heavy Metal tentando “proteger” seus mercados é como dois carecas brigando por um pente. Adoro Heavy Metal, mas ele sempre foi um gênero musical secundário na indústria fonográfica como um todo e no Brasil mais ainda. As bandas que agem assim tendem a matar o público. O ideal sempre é a amizade, a parceria e a ética, sobre tudo.

Quanto ao crescimento de ideologias extremistas de direita no Heavy Metal como o neonazismo, é algo a se lamentar. O Heavy Metal se construiu negando padrões estéticos previamente estabelecidos. Cantou liberação de comportamento, de costumes. Em alguns momentos ele foi e é machista, mas isso não anulou toda a cultura outsider que se construiu em seu entorno. Mas o crescimento deste tipo de ideologia não é algo observável apenas no heavy metal. Essa crise do humanismo, que permite surgir estas coisas é estrutural. É global. Vai além do gênero musical.

TMV – O Dragonheart tem apresentado uma evolução incrível e um grau de amadurecimento fantástico de um álbum para o outro. Quais as possibilidades de uma turnê nacional e internacional?

André – Obrigado. Nós buscamos fazer o possível para nos superarmos. Bem, o sonho de fazer uma tour assim é enorme, mas temos de ser realistas, é difícil de realizar. Nossos trabalhos regulares tomam de nós muito tempo. Não é possível viver de Heavy Metal no país. Obviamente se houver produtores de shows dispostos a nos levar para tocar dentro das condições mínimas para se fazer um bom show, iremos com muito prazer e faremos o possível para adaptar nossas agendas pessoais para realizar isso. Sempre há sondagens para irmos tocar em outras cidades, estados, mas são apenas sondagens. Raramente são propostas concretas.

TMV – Há alguma possibilidade de lançar alguma produção visual como dvd ou clip?

André – Estamos estudando as possibilidades, analisando os custos. A vontade de fazer é enorme. Há algumas músicas no “The Battle Sanctuary” que são de fato dignas de algo assim.

TMV – Quais os planos do Dragonheart para 2017 em termos de shows e há alguma previsão de lançamentos novos?

André – Faremos todos os shows que forem possíveis de realizar e passaremos a compor algo, mas sem o compromisso de gravar e lançar algo novo de imediato. Um passo de cada vez.

TMV – Para mim foi um prazer incrível realizar este bate papo com vocês, gostaria que deixassem uma mensagem para os leitores do TheMetalVox, e dizer-lhes que foi uma grande honra para nos ter vocês em nosso site.

André – Foi um prazer enorme participar dessa conversa contigo, Ivan. Agradecemos o apoio e a oportunidade para escrever para o público do seu site e ao povo da Bahia. Esperamos sempre poder atender aqueles que nos honram com seu carinho e respeito pela banda. Torço para que um dia possamos tocar no seu Estado, pelo qual eu particularmente tenho um carinho em função da importância histórica que ele tem para a formação do nosso país. Gostaríamos de agradecer imensamente à nossa gravadora PITCH BLACK RECORDS por todo o apoio que nos tem prestado.

https://www.facebook.com/dragonheartofficial/

Por Ivan Souza

DRAGONHEARTH – de volta ao front… Reviewed by on . O TheMetalVox foi bater um papo com um dos maiores ícones do Metal nacional a poderosa Dragonheart. Uma conversa regada há muito Heavy Metal. Marco e André fala O TheMetalVox foi bater um papo com um dos maiores ícones do Metal nacional a poderosa Dragonheart. Uma conversa regada há muito Heavy Metal. Marco e André fala Rating: 0
scroll to top
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com