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OVERDOSE – o retorno

janeiro 10, 2017 9:00 pm by: A+ / A-

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Uma das grandes notícias desse ano é o retorno da lendária banda mineira Overdose, considerada uma das precursoras do Heavy Metal brasileiro. Depois de várias especulações sobre a sua volta, nesse hiato de mais de uma década, finalmente o grupo se reuniu em um ensaio, que foi transmitido ao vivo via Facebook, para comemorar seus trinta e três anos de história e, a partir disso, fazer algumas apresentações aleatórias. Desde o seu nascimento, em 1983, a Overdose contribuiu imensamente para o Metal Nacional e inseriu nele estilos e subgêneros nunca antes testados. Lançou sete álbuns de estúdio e fez inúmeras turnês pelo Brasil, Europa e Estados Unidos ao lado de bandas como King Diamond, Machine Head, Carnivore, Grip Inc, Type O Negative, L7, Biohazard, Sick of It All, entre outras. Conversei com os fundadores Claudio David e com o Bozó sobre esse retorno aos palcos. Acompanhe.

Entre as várias especulações, finalmente, veio o tão aguardado retorno da Overdose. Essa volta é definitiva ou é apenas uma reunião? 

Bozó – Fala, meu rei… Então, é mais uma reunião pro ‘‘desenferrugem’’ e pra uma gig aqui e ali… Na área mesmo… Sem muitos planos de retornar realmente, pois a vida de cada um mudou muito.

Cláudio –  Bom, foi mais um teste para sacarmos como a banda estava depois de oito anos separada. O bolo dos 33 anos foi uma coincidência inacreditável que o Bozó só descobriu na hora de sairmos pro ensaio. Sem nenhuma consciência, marcamos o ensaio da OverDose para o mesmo dia e horário que foi o nosso primeiro show [22/10/1983, no Colégio Santo Antônio, em BH]. Agora que os dois primeiros ensaios foram muito legais, nossa intenção é montar um repertório de show antes de marcarmos qualquer coisa. Mas ainda estamos no momento de testes, nem dá pra garantir que voltaremos a fazer shows, apesar de ser essa a intenção.

Bozó – Eu falei pro Sergio… ‘‘Uai… dia vinte e dois é aniversário da Overdose… Dia da primeira gig no colégio Santo Antônio… Cláudio fez de propósito?’’, ‘‘Foi sem querer, Bozó’’, ‘‘Caráiu’’! E, se vocês não sabem, ele marcou exatamente às 17h! Foi a hora em que entramos no palco pela primeira vez! (risos). Os cabra ficaram de cara! Só eu lembrei disso! Óia ‘‘ques’’ cara lerdo! (risos).

Como começou a ideia da reunião? Quem ligou pra quem? 

Bozó – Na verdade, essa reunião foi um pouco conturbada pra rolá… Não lembro quem ligou pra quem primeiro (risos).

Nesses ensaios vocês pretendem preparar clássicos dos primeiros álbuns para futuras apresentações? 

Cláudio – Pretendemos pegar músicas antigas sim, mas o repertório não vai ser grande, pouco mais de uma hora, então, serão apenas umas doze ou treze músicas. Não vai dar para colocar tudo que foi expressivo na carreira da OverDose, mas, com o tempo, nós podemos ir trocando algumas músicas, para resgatarmos músicas marcantes que ficaram sem ser tocadas em um primeiro momento. 

A formação é praticamente a mesma do disco Circus Of Death, apenas o baterista André Márcio [hoje no Eminence] não vai participar dessa reunião. Em seu lugar, foi convocado o Heitor Silva [da banda Tormento]. Como foi a escolha do novo baterista?

Cláudio – O Heitor já havia tocado comigo na OverDose B que montei para fazer um festival no Sul há dois anos. Como eu já havia curtido muito a firmeza no andamento e o carinho dele com os arranjos, sugeri um teste com ele. Ainda não foi oficializado, mas, como ele mandou muito bem em dois ensaios, além de ser um cara super gente boa, é bem provável que ele ocupe a vaga do André.

Já se passaram vinte e um anos desde o último trabalho de estúdio da banda, com o álbum “Scars”. Mesmo sendo apenas uma reunião, podemos criar expectativas para um novo disco ou ainda é cedo para pensar isso?

Cláudio – Ainda é muito cedo. Primeiro, o retorno tem que colar e os shows saírem. Vontade de fazer algo novo sempre vai existir, mas, para chegar no nível dos outros trabalhos, vai ser necessário muito ‘‘trampo’’, como sempre. Não temos mais condições financeiras e tempo para ficarmos por conta das paixões. Acho que só vou ter tesão e inspiração pra criar algo novo no dia em que conseguir resolver os meus problemas econômicos. Ainda tenho fé, mas não tenho ideia de quando isso possa ocorrer.

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Vocês se apresentaram no 53HC Fest, no dia 6 de novembro, numa participação surpresa, com duas músicas, durante o show da Hell´s Punch [banda do guitarrista da Overdose, Sérgio Ferreira]. Conte-nos como foi a sensação de estar em BH tocando de novo.

Claúdio – Já não tocávamos em BH fazia doze anos e em outros lugares já fazem mais de oito anos. Foi uma sensação ótima e uma grande vontade de tocar mais músicas. Depois do show, o clima dos fãs era de agradecimento pela oportunidade. Na verdade, a participação foi só para desenferrujar, mas deu para sacar que a OverDose está bem viva. Falta muito para acertar ainda e é provável que um show completo seja muito mais desgastante, mas deu pra sacar que a OverDose continua sendo uma grande banda de Metal.

Bozó – Tocar em BH sempre foi muito foda! Esse último foi massa também. Mas poderia ter sido mais legal se não tivesse ocorrido aquele atraso do batera, que, coitado, teve caganêra bem na hora, e demorou uns minutos para chegar ao palco. Me deu uma esfriada de leve. Não foi culpa do Heitor, coitado! Caganêra é caganêra, né mêmu? (risos). E tinha muito pouca gente e ainda meio acanhados… Não consigo uma performance legal de palco se a rapaziada tá fria. Acho que ficar pulando e zuando com público frio soa falso, sei lá (risos). Talvez seja um pouco de ‘‘falta de profissionalismo’’ da minha parte (risos). Mas não tem jeito… se a rapaziada não zuar, não zôo também (risos). Mas, no final, o resultado foi massa! Quem tava lá gostou bem! Vi o vídeo e só me achei muito paradão… Fiquei tímido…(risos). Mas, no mais, foi tudo bem legal! Agora, vamos fazer um só nosso. Não sei quando, mas gostaria que fosse num lugar menor pra ficar mais caloroso e underground como tem de ser! Lugar pequeno = público doido e agitado! (risos). 

Os fãs estão muito animados com o reencontro.

Bozó – Ah é, uai… A mulecada tá na fissura… E nóis tumém! (risos). Com um pouco de medo, pois, durante essa parada, abusei da saúde e a voz não é mais a mesma, mas… (risos).  Nóis se vira, uai!

Cláudio – Compreendo os fãs, nós também estamos ansiosos para ver os frutos do reencontro. Mas, por ora, fora essa pequena participação [no 53 HC Fest], não há nada marcado, até porque só pegamos cinco músicas até agora. Não estamos querendo apressar nada, para que não haja pressão e stress. Ainda estamos na fase de testes, assim que tivermos algo confirmado, teremos um enorme prazer em dividir a notícia com os fãs.

Então, não existe nada certo de um show completo da Overdose, pelo ao menos aqui em nossa ‘‘aldeia’’ Beagá?

Bozó – Vontade é mato! (risos). Cara, não sabemos ainda… Mas tô numa fissura de anos, meu camaradinha! Fissura de anos! Vou precisar do SAMU! (risos).

Como é ter esse carinho tão grande dos fãs mesmo após uma ausência  tão grande dos palcos?

Bozó – Chamo de G.A.S.O.L.I.N.A.!!! (risos). Gasolina não só pro Metal, mas para a vida!

Cláudio – É muito gratificante mesmo. É saber que o trabalho da OverDose não foi esquecido, mesmo depois de tantos anos parado. Isso significa que a banda é atemporal, que conseguimos atingir o nosso objetivo, que sempre foi fazer um Metal de qualidade para sobreviver ao tempo. Eu também sou fã da OverDose e ainda curto muito, desde o “Século XX” até o “Scars”.

Sobre as influências que a Overdose trouxe para o Metal nacional, me recordo quando se apresentaram em 1997, no Programa de Música (da Rede Minas de Televisão), ao  lado da banda Virsa Lisi. Durante o show, você [Bozó] e o César Maurício [vocal do Virna Lisi] puxaram Sebastiana, de Jackson do Pandeiro. Você com uma caixinha de fósforo e o César com um pandeiro. Aquilo foi algo inesperado para os headbangers, porque, ainda nessa época, não era comum ter essas misturas da música popular brasileira com o Heavy Metal.

Bozó – Uai, meu rei, só sei que foi só alegria… Tínhamos uma relação massa com o povo da Rede Minas e foi como estar no quintal de casa. A parada da canja com César, ‘‘nóis combinêmo’’ antes… A ideia da música foi dele, se não me engano… e a da caixinha de fósforo foi minha (risos). Lembro dele falando… “O véiu, quando acabar, me devolve a caixinha, que é da minha mãe”(risos).

Cláudio – As diversas influências externas ao Heavy Metal sempre foram uma característica marcante no som da OverDose. Talvez, a grande proximidade da banda com o progressivo e a música erudita tenham passado batidos, pois o Metal, em geral, sempre flertou com esses estilos. Mas, a cada trabalho, da OverDose foi incorporando novos  elementos não tão comuns ao Metal. Acho que, nos dois últimos discos, a banda acabou criando um estilo de Metal que só pode ser rotulado como Fusion. As percussões brasileiras chamam a atenção, mas, se analisar, verá que esses discos vão muito além disso, com composições e arranjos provenientes de diversos estilos musicais. A própria música título do “Progress of Decadence” é um tango todo quebrado com uma sirene do inferno! (risos). 

Essas influências já começaram quando a banda lançou o primeiro split cantando Heavy Metal em português. Depois, entre outras experiências sonoras, vocês lançaram o “Progress Of Decadence”, um disco que mistura ritmos tribais e samba, anos antes do Sepultura lançar o “Roots”. De onde e como começaram essas influências?

Bozó – Eu sempre achei as baterias das Escolas de Samba um ‘‘bagúiu’’ bem pesadão e envolvente pra cacete! Não tem nenhum ‘‘radical’’ que resista (risos). Começou o batido, nego se inquieta! Daí, eu sempre quis fazer isso, mas, tinha medo de ‘‘por na roda’’ e algum ‘‘gavião’’ com mais poder pudesse roubar a ideia. Bom… Vacilamos e quando fomos ver, o Sepultura tinha lançado antes de nós, claro! Coincidentemente, acho que foi o Paulo, sei lá, tinha visto um ensaio da gente fazendo percussão, antes de lançarem o “Caos A.D” ou o “Roots”, não tô bem certo… Muita coincidência, né? (risos).

Bastante (risos). Porém, esses elementos tribais foram timidamente usados no “Chaos A.D.”, diferentemente do “Roots”, em que foram muito explorados. No entanto, o “Progress Of Decadence” vem antes disso tudo.

Bozó – Essa eu não sei se estou bem certo, pelo tempo que isso tem… Só sei que foi maaaais ou menos assim (risos).

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O “Chaos A.D.” e o “Progress Of Decadence” são do mesmo ano, 1993. 

Bozó – Pois é… Tem razão!

Bom, chegamos ao final. Agradeço a vocês pela entrevista e deixem aí suas considerações finais. 

Cláudio – Eu sempre agradeço aos fãs, pois foi por causa deles que a OverDose existiu e voltou agora. Sou também uns dos maiores fãs da OverDose, então, vou fazer tudo o que puder para que a banda volte definitivamente aos palcos. Abraços para os fãs!

Bozó – Eu quem agradeço, ‘‘inhô’’ Cleuber! Fiquem no aguardo de uma futura ‘‘barulhêra’’ da Overdose por essas bandas! E, quando acontecer, vamos matar a saudade ‘‘braba’’ que estamos de uma bela gig da Over! Mal posso esperar ‘‘saporra’’!

facebook.com/overdosebrazil

Por: Cleuber Toskko (Caoz Magazine – mais uma entrevista gentilmente cedida e que foi publicada na edição três, clique aqui e adquira a sua)

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